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9.9.13

Salão Beleza Natural em São Paulo/SP


Liga nóis a notícia do dia 26/8/2013 no Beleza de Blog escrito por Carol Romanini: Rede ‘Beleza Natural’, de salões especializados em cabelos cacheados, chega à cidade em outubro. Vai vendo as datas de inauguração e locais dos primeiros salões da Dona Zica cabelereira em São Paulo/SP.

Santo Amaro
Mais Shopping Largo 13 - Rua Amador Bueno, 229, loja 20.301.
Previsto para funcionar a partir do dia 24 de outubro de 2013, das 8h às 20h.

Tatuape, inauguração prevista a partir de 21/11/2013.

Lapa, inauguração prevista a partir de 22/11/2013.

Vai vendo o salve sobre a Dona Zica que a Carol teve o dom de publicar:
À frente do negócio está a famosa cabeleireira Zica, eleita recentemente uma das 10 Mulheres de Negócios Mais Poderosas do Brasil, pela revista Forbes. Zica passou dez anos de sua vida pesquisando a fórmula perfeita para tratar dos cabelos cacheados. Resultado dessa pesquisa, o Super-Relaxante, produzido com base em seus estudos, promete tirar o volume dos fios sem alisá-los, além de definir os cachos. Além dele, sua marca conta hoje com mais de 50 produtos para o tratamento dos cabelos cacheados.

To ligado que tiazinha, novinha, uma pá de mina a milhão pra desfilar de cabelo cacheado, encaracolado, étnico, auto-estima a milhão, já está a milianos aguardando o empreendimento da ex-empregada doméstica que inventou o produto de relaxamento que o mundo todo e os banqueiros pagam um pau.

Ligeiro colei no Blog Beleza Natural, vai vendo o convite ligeiro no post milidias ainda em setembro:
Super-relaxante grátis em São Paulo
4/9/2013 - Blog Beleza Natural
Atenção, cacheada de São Paulo:
O  Centro de Desenvolvimento Técnico em São Paulo já está bombando. Se você já é cliente do Beleza Natural ou deseja experimentar o Super-Relaxante gratuitamente, fique ligada!
Para isso, basta comprar um Kit de Manutenção e agendar o atendimento pelos telefones 11-95638-1546 (Vivo), 11-97638-8836 (Claro), 11-98126-2458 (Tim), 11-96941-6363 (Oi).
No dia da avaliação, os fios precisam estar completamente secos, livres de qualquer tipo de óleo, sem escova, chapinha, trança ou implante. Não se esqueçam de que é necessário ficar 3 meses sem usar químicas, tinturas e tonalizantes. Aproveitem!!!
Equipe Beleza Cacheada

O jornal Meio&Mensagem tb mandou um salve sobre uma palestra da Dona Zica no Centro Universitário Senac em agosto de 2013, tiazinha endolou a historinha toda, liga nóis:
Beleza Natural a caminho de São Paulo
Meio&Mensagem, 16/8/2013

Valorizando a beleza dos crespos e cacheados, a empresária Zica conseguiu criar uma bem-sucedida rede de salões.

O Instituto Beleza Natural, fundado há 20 anos no Rio de Janeiro por Heloísa Assis - conhecida como Zica - inaugurará em outubro sua primeira unidade em São Paulo. O salão será aberto no Largo Treze, na região de Santo Amaro (zona Sul).

Em novembro, outras duas unidades também serão inauguradas, uma na Lapa (zona Oeste) e outra no Tatuapé (zona Leste). Cada novo salão recebe investimento médio de R$ 2 milhões. A própria fundadora virá a São Paulo neste sábado, 17, para uma palestra às consumidoras paulistas, às 10 h, no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac, da Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, também em Santo Amaro.

Na ocasião, Zica contará às participantes a história do Beleza Natural, que surgiu em um fundo de quintal, em 1993, na Tijuca e, tratando cabelos crespos e cacheados, conseguiu expansão para 13 unidades nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O diferencial da rede é um tratamento desenvolvido pela própria Zica e seu marido, Jair, o Super-Relaxante - que será demonstrado na ocasião. O produto, eles garantem, ajuda a definir os cachos e tira o volume dos fios sem alisá-los – daí o nome da rede.

Hoje, o Instituto Beleza Natural possui uma linha de produtos com 50 itens; um Centro de Desenvolvimento Técnico formará 79 pessoas para trabalhar na primeira unidade paulista da marca. Nos demais estados, a rede já atende atualmente 90 mil clientes por mês. (...)

A operação tem 1.700 funcionários distribuídos nos treze salões, na sede e na fábrica Cor Brasil; 80% deles, garante a empresa, já eram clientes e foram convidados a fazer parte da equipe. Muitos são apoiados pela política de primeiro emprego da marca, que não demanda experiência profissional para muitas das vagas que oferece e treina os candidatos.

Além de Zica e do marido, são sócios Rogério Assis e Leila Velez, ambos ex-funcionários do McDonald’s. A experiência anterior fez com que estes implantassem no Beleza Natural processos semelhantes a uma linha de montagem para a realização dos serviços, o estabelecimento de padrões de qualidade nos produtos que comercializa e a preocupação com um atendimento “encantador”.

É mano, bagulho vai ser louco. Liga que a mulherada de São Paulo já colava nos salões do Rio de Janeiro, tipo bonde das cacheadas, alugando ônibus, van, lotação, avião, uscambau. Sente o drama:
Instituto Beleza Natural abre primeira loja em São Paulo
Pequenas Empresas Grandes Negócios, 3/6/2013

Com 13 lojas em três estados brasileiros, o Instituto de Beleza Natural – rede de salões especializada em cabelos ondulados – chega a São Paulo com a meta de abrir três lojas ainda este ano. O projeto de expansão começou a ser estruturado quando a empresa notou que mais de 4 mil clientes iam da capital paulista só para tratar o cabelo em uma das dez lojas do Rio de Janeiro.

“O fato de São Paulo ser a capital do país em termos de crescimento, economia e salários também nos estimulou. A ideia é atender o público paulista e também trazer caravanas que hoje saem do Sul do país com destino ao Rio”, afirma Jacqueline Alves, superintendente de marketing da Beleza Natural. Cerca de 40 mil clientes da rede chegam aos salões por meio das caravanas que a empresa realiza.

A primeira loja aberta em São Paulo será inaugurada em setembro, no Mais Shopping, no Largo Treze de Maio, em Santo Amaro. Para escolher o lugar, a rede contratou um instituto de pesquisa para mapear pontos da cidade com maior concentração do público-alvo do Instituto: mulheres com mais de 15 anos com cabelos crespos/cacheados, negras e pardas, pertencentes à classe C.

“Escolhemos o Largo Treze pelo volume de clientes que podemos atingir na região e pela facilidade de chegar ao shopping. A ideia é que nosso público, prioritariamente da classe C, tenha acesso a nossas lojas por metrô ou ônibus”, diz Jacqueline. A previsão é abrir dois pontos na cidade: um na Zona Leste e outro no Centro. Com as três lojas, a expectativa da rede é de aumentar o faturamento em até 25%.

Com investimento de R$ 2,5 milhões, as lojas terão 400 metros quadrados e seguirão a configuração das demais do país, com áreas alinhadas e reservadas para cada etapa do tratamento do cabelo. Do relaxamento ao penteado, a rede usa produtos de fabricação própria desenvolvidos na fábrica Cor Brasil Cosméticos, no Rio de Janeiro. Jacqueline estima que o Instituto Beleza Natural deverá contratar entre 120 e 150 funcionários por loja.

A principal diferença do negócio em São Paulo para os outros estados deverá ser o tíquete médio, mais caro entre os paulistas. “Enquanto no Rio os clientes gastam em média de R$ 150, esperamos que em São Paulo esse valor aumente, alcançando R$ 180”, afirma Jacqueline. A rede também aposta num público maior e se estrutura para receber até mil clientes por dia na cidade.

Com mais de 1700 colaboradores e um crescimento médio de 30% em faturamento ao ano, o Instituto também está preparando a inauguração de mais duas lojas no interior do Rio de Janeiro, em Campos e Volta Redonda, e uma em Salvador (BA).

 Milidias quando o Beleza de Blog mandou o salve, a banca da Dona Zica cabelereira estava no veneno recrutando a molecada de SP pra juntar no bolinho. Tipo, foram mais de 200 vagas abertas para os cargos de Auxiliar de Cabeleireira, Cabeleireira, Estoquista, Auxiliar de Manutenção, Jovem Aprendiz, Recepcionista, Assistente Administrativo, Atendente de Loja, Assistente de Atendimento, Assistentes de Marketing e Auxiliar Operacional. Do total, 70% das vagas exigiram apenas o ensino médio completo. A seleção foi sendo feita em parceria com a Microlins de 19 a 31/8/2013 pelo link vagas.com.br/belezanatural.

Sentiu firmeza? Não me acompanha que não sou novela :-)


-> Arquivo: 29.7.2013 : Livro de tatuagem com letras de graffiti
-> Arquivo: 3.7.2013 : Cabelo crespo de estagiária seria contra padrão de escola em São Paulo/SP
-> Arquivo: 27.3.2012 : Monalisa, personagem de novela inspirada no sucesso da cabeleireira Dona Zica do Beleza Natural
-> Arquivo: 12.1.2012 : Salão da Dona Zica cabeleireira Beleza Natural no Facebook

3.7.12

Cabelo crespo de estagiária seria contra o padrão de escola em São Paulo/SP



Mano, liga essa fita cabulosa que saiu no Jornal Nacional na TV Globo - Polícia investiga denúncia de racismo contra estagiária de colégio em São Paulo - e que o mano do canal Hernaniquilombo teve o dom de gravar e publicar no YouTube dia 7/12/2011. Vai vendo a treta na descrição do video:

(...) A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro (2011), na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a "boa aparência".

"Ela disse: 'como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso'. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola." (...)
.
Dia 16/12/2011 o jornal Folha de São Paulo tb mandou o salve na reportagem Encrespou escrita por Tatiane Santiago e Emilio Sant'Anna reproduzida no site da NQM:

Encrespou.

Por Tatiane Santiago (Agora) e Emilio Sant'Anna (de São Paulo/SP)

Estagiária afirma ter sido alvo de preconceito após diretora de colégio pedir para que ela alisasse o cabelo; caso foi parar na delegacia de crimes raciais

Quando o primeiro cabelo "black power" chegou por aqui, na cabeça de Tony Tornado, 81, logo foi evidente que era parte do movimento de afirmação racial dos negros. Nesta semana, 41 anos depois, o ator ficou "enjoado" ao saber que o penteado ainda causa preconceito.Tony não queria acreditar quando leu, no Facebook, o caso da estagiária Ester Elisa da Silva Cesário, 19.Ela afirma ter sido alvo de racismo no colégio Internacional Anhembi Morumbi, no Brooklin, zona sul de São Paulo, onde é estagiária.Assim como Tony, Ester é negra. Seu cabelo é crespo, bate nos ombros. Ela preserva o volume natural dos cachos.Segundo Ester, em seu primeiro dia de trabalho como assistente de marketing, no dia 1º de novembro, a diretora do colégio reclamou de uma flor presa em seu cabelo e pediu para deixá-los presos.Dias depois, a diretora a teria chamado novamente para reclamar do cabelo.Dessa vez, conta Ester, a mulher foi além: disse que compraria camisas mais longas para que a funcionária escondesse seus quadris."Como você pode representar nosso colégio com esse cabelo crespo?", indagou a diretora, segundo a jovem.Ainda de acordo com a estagiária, a diretora contou que já teve cabelos crespos, mas os alisou para se adequar ao padrão de beleza exigido.Foi a gota d'água para a estagiária procurar a polícia. Ester registrou um boletim de ocorrência na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância)."A discriminação me afetou de tal forma que eu não consigo mais me olhar no espelho e mexer no meu cabelo. Ela [a diretora] mexeu com meu emocional. Estou triste e choro a todo instante", diz.

Discriminação

Para o professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oscar Vilhena Vieira, casos como o de Ester são flagrantes desrespeitos à Constituição.Segundo ele, o caso pode gerar uma ação cível ou criminal. "Para isso, é preciso que fique demonstrada a intencionalidade da discriminação", explica.Para Tony, os 41 anos que se passaram desde que se tornou o primeiro a usar um "black power" não foram suficientes para acabar com o preconceito no país."Depois que vi a história, fiquei enjoado, pensando como pode acontecer uma coisa dessas em 2011."

Colégio diz que não teve intenção de constranger

O colégio Internacional Anhembi Morumbi afirma, em nota, que a direção da escola e o restante da equipe de funcionários com a qual Ester Elisa da Silva Cesário trabalha nunca teve a intenção de causar qualquer constrangimento.

De acordo com a nota, o colégio possui um modelo de aprendizagem inclusivo, que abriga professores, estudantes e funcionários de várias origens e tradições religiosas.

O uso de uniformes por alunos e funcionários é exigido para que o foco da atenção saia da aparência. A instituição afirma que ainda não foi notificada oficialmente sobre o boletim de ocorrência registrado pela estagiária.

O colégio também afirma que entende que o respeito às diferenças é um assunto sério e, por isso, colocou formalmente esse tema em seu estatuto e na grade curricular.
.
Dia 8/12/2011 o site Geledés publicou - A estágiária Ester Elisa da Silva Cesário diz que foi transferida para o arquivo - tipo seguindo a rima com bacana do colégio CAM estilo sangue nos olhos. Sente o drama:

(...) Contratada em 1º de novembro, ela costumava ficar ao lado da recepção e mostrava o colégio para os pais interessados em matricular seus filhos.
Na última segunda-feira, quando o caso ganhou repercussão em redes sociais, diz que foi transferida para o arquivo, em uma sala em frente à direção.
"Agora só arquivo documentos e carimbo carteiras dos alunos", diz a jovem.

Resposta: A conselheira do colégio Mercedes Vieira disse que não houve mudança de função. O colégio nega discriminação.
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1-2 a tiazinha do colegio tem mais é que colar no blog Cabelo Crespo é Bom e pagar um pau na rima da Mariangela Miguel, demorou:

Cabelo Crespo é Bom
Mariangela Miguel

Se você me perguntar como esse blog nasceu, vou dizer que nasceu por causa de uma indignação. Depois de tantos anos ouvindo (e eu mesma afirmando!) que meu cabelo é ruim, que cabelo crespo é ruim, que fulana tem cabelo ruim, cansei. É verdade que nunca gostei de cabelos lisos, não combina comigo. Mas os cabelos cacheados sempre me provocaram suspiros.

Tentei de tudo, chapinha, relaxamento, mas é obvio que os cachos nunca ficaram  perfeitos. É claro que na adolescência a frustração é maior. Quem não quer ter o cabelo da moda? Quando o seu cabelo só cresce para cima, como explicar para uma menina de 13 anos que ela não pode nem sonhar com o cabelo Chanel?  Quem é o culpado? O cabelo ruim.

Acreditei nisso por muitos anos. Hoje, depois de tantas experiências (que vou fazer questão de contar cada uma para vocês), cheguei a seguinte conclusão: se meu cabelo fosse realmente ruim, não teria agüentado tanto secador, chapinha e química.

É preciso ser muito bom para passar por um processo químico, mudar toda a textura do fio e ainda ficar parecido com o cabelo da modelo da revista. Por isso, a-do-ro o meu cabelo. Se você, como eu, também tem cabelos crespos, afirmo e repito: cabelo crespo não é ruim, é bom e muito bom.

(...) Não importa qual a sua escolha, vamos nos unir em uma jornada que vai transformar nossos cabelos em verdadeiros objetos do desejo. É isso.
.
Sentiu firmeza? Se joga no cabelo cacheado, encaracolado, pixainho, uscambau.

Antigamente quilombos hoje periferia,
Brasil 500 anos de extermínio.

27.3.12

Monalisa, personagem de novela inspirada no sucesso da cabeleireira Dona Zica do Beleza Natural



Apesar da TV Globo não falar nada, ficar na miuda, não admitir nem ter a moral de assumir, meio que tá na cara que a personagem Monalisa da nova novela Avenida Brasil é inspirado na história de sucesso da Dona Zica cabeleireira, afrodescendente, ex-empregada doméstica, que inventou o processo de relaxamento de cabelos rebeldes que deu origem a rede de salões Beleza Natural.

Vai vendo a historinha que a emissora e a atriz divulgaram no site da novela: Inspirada na própria história, Heloísa Périssé vai viver uma 'paraibana arretada'. A rima bate de frente se pam pra confundir a mente da banca que conhece a história de exemplo e empreendorismo da Dona Zica, tipo, tirando o corpo fora quase empurrando os nordestinos pra trombar com os afrodescendentes. Mas o resumo publicado revela a milhão:
Trabalhadora, Monalisa vai ser uma cabeleireira boa-praça. Fã de roupas justas e coloridas, a paraibana arretada cria uma fórmula de sucesso para alisar o cabelo das clientes.
Na entrevista com a atriz conversinha continua, passando longe de cabelo pixainho e cacheado.
Heloisa Perisse: “A Monalisa é uma mulher muito amorosa, com uma alma nordestina guerreira, de quem vem em um pau de arara disposta a vencer e não mede esforços para isso. Me identifico muito com ela, porque também vim do Nordeste, sou de Salvador. Também vim com um sonho, um objetivo e fui ultrapassando as dificuldades e subindo os degraus. Acho que a personagem vai ser muito acolhida, porque as pessoas gostam de quem passa uma história de esperança. No inconsciente coletivo, gera aquela certeza, de que se ela conseguiu, eu também posso conseguir (...) Eu e a Fabíola (a atriz Fabíola Nascimento) fizemos um curso de cabeleireiro. Aprendemos os truques da profissão. Os cabeleireiros fazem tudo ao mesmo tempo. Sou muito cara de pau, vou fazendo como se já tivesse feito a vida inteira. Está sendo ótimo, já estou fazendo até escova em mim mesma”
Será que a Dona Zica cabeleireira tá ligada no caô? Mas tá valendo, no final a divulgação e merchandising grátis do tratamento de relaxamento de cabelos cacheados para o salão Beleza Natural e seus cosméticos em horário nobre na Globo pode ser comparado a milhões de reais em publicidade. De repente foi por isso, pra não parecer propaganda grátis da Globo pra uma empreendedora brasileira afrodescendente e uma empresa que provoca competição em um mercado dominado por multinacionais e empresas estrangeiras.

Liga que o autor da novela Avenida Brasil, João Emanuel Carneiro, foi quem escreveu a novela Da Cor do Pecado, segundo o estudo A cor do preconceiro : o negro na teledramaturgia brasileira de Alex Santana França publicado na Revista Africa e Africanidades nº11 em novembro de 2010,  vai vendo copy paste de trechos da rima toda:
(...) o nome da novela Da Cor do Pecado (que foi ao ar em 2004) é título de uma música composta por Bororó na década de 1930 e interpretada já por vários nomes da MPB, no caso da novela, quem interpreta a canção é Luciana Melo. Nessa composição se pode localizar claramente a manifestação de preconceito em frases como (...) é um corpo delgado da cor do pecado e [...] a vergonha se esconde porque se revela a maldade da raça [...]. 

Depois o autor ainda escreveu a novela Cobras e Lagartos, de 2006. Nela, destaque para dois personagens, Ellen (vendedora da loja Luxus que pensa apenas em subir na vida) e Foguinho (um malandro que leva a vida à base de mentiras), interpretados respectivamente por Taís Araújo e Lázaro Ramos, que de verdadeiros anti-heróis tornaram-se protagonistas, caindo no gosto do público e ofuscando personagens como Duda e Bel (o par romântico principal da novela) e Estevão e Leona (o casal de vilões antagonistas).

Em 2008, a novela A Favorita, a terceira de autoria de João Emanuel Carneiro, causou polêmica quando foi anunciado que, não só haveria uma família de negros rica, como essa família seria rica porque o pai é um deputado corrupto. Antes disso, o negro já foi representado como bom caráter e como mau caráter, mas é raro ver uma novela com negros protagonistas (outra família negra que chamou muita atenção na época foi a da novela A Próxima Vítima, de 1994). Mais uma vez, João Emanuel Carneiro repete a fórmula de que o negro só consegue ascender socialmente quando é desonesto, reforçando ainda mais os estereótipos que rotulam os negros.
Sentiu o drama? Vai vendo o documentário A Negação do Brasil - O Negro nas Telenovelas Brasileiras  baseado no livro de Joel Zito Araújo.

Antigamente quilombos, hoje periferia. 500 anos de extermínio.


-> Arquivo: 12.1.2012 : Salão da Dona Zica cabeleireira Beleza Natural no Facebook
-> Arquivo: 4.1.2012 : É Globo mas é brazuca
-> Arquivo: 25.10.2011 : A febre das filhas da Janete no YouTube
-> Arquivo: 6.10.2011 : TV mostra escravos nordestinos explorados pelo Governo de São Paulo para construir escolas
-> Arquivo: 1.8.2011 : Thaide entrevista Mano Brown na TV
-> Arquivo: 1.8.2011 : Re The revolution will be webified
-> Arquivo: 18.7.2011 : Sites de TV a cabo pela internet com pay per view de futebol e BBB
-> Arquivo: 23.8.2006 : Indenização por crime de racismo: Justiça condena supermercado a pagar R$ 60 mil
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 8.6.2006 : Beleza Natural, a ex-empregada doméstica que virou empresária
-> Arquivo : 8.11.2005 : TV da Gente, Racionais e Netinho representando
-> Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
-> Arquivo: 26.4.2005 : MV Bill no Roda Viva da TV Cultura
-> Coletando : Livraria Cultura: A negação do Brasil. O negro na telenovela brasileira. e Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : TV, Cabelos e Novela

5.3.12

Questionando projetos de acesso à internet na periferia

Oficinas de Comunicação no Telecentro

Msg sobre exclusão social na Lista Metafora em 2002.

Re: questionando

30.07.2002 - Falai metaforas,
Nemo Nox escreveu:
Para nós, faz sentido estender o acesso para a periferia. Mas faz sentido para a periferia? E, se faz, por que eles precisam esperar que essa iniciativa venha de fora?
Se a playboyzada ou os comunas querem dar acesso, escola, casa, comida, bandalarga uscambau ta' valendo!

Tem q pagar aquela divida! Ta' ligado q milianos esse estado patrocinou, protegeu e lucrou com a escravidao, bacana se aproveitou da forca de trabalho expatriada a forca com um sistema de exterminio e exploracao talvez so' comparado ao holocausto nazista (mas essa divida o ocidente pagou em dolar ate' umas horas).

Vai vendo, em 1888 a madame pensou q era so' promulgar a lei e tirar o corpo fora? Faltou pagar a indenizacao, horas extras e insalubridade! Na falta de cara de pau de resolver logo essa parada qq melhoria q for sendo paga, o jeito e' ir abatendo da divida principal :-)

Se pam o problema e' beeeeem mais embaixo. Mas nao esquenta q da minha tribo dos Tupi Nambas nao sobrou ninguem pra receber qq indenizacao :-)

4P!

\//
Tupi


-> Arquivo: 4.1.2012 : Fotos do reveillon nas favelas do Complexo do Alemão
-> Arquivo: 8.9.2011 : Curso de chinês de graça para estudantes da periferia 
-> Arquivo: 25.7.2011 : Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
-> Arquivo: 25.7.2011 : Re: Chutando o pau da barraca  
-> Arquivo: 25.4.2006 : Skype In e Skype Out no Brasil, teste do blog Garota sem Fio, etc.
-> Arquivo: 25.4.2006 : Fábrica de Criatividade, Capão Redondo, matéria no Estadão
-> Arquivo: 12.3.2006 : Adiado para 2007 o fim da cobrança por pulsos na conta de telefone
-> Arquivo: 28.2.2006 : Movimento FON recebe investimento do Google e Skype, notícia no Wall Street Journal
-> Arquivo: 10.3.2005 : Fita voip wi-fi dominando
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Internet, Tablets, Smartphones e Tv a Cabo

7.2.12

Pesquisador acusa o uso da palavra moreno para fugir da questão racial em pesquisa

brasileiro

Liga matéria publicada no site América Economia no meio do ano passado. Tipo trocando uma idéia sobre a consciencia étnica e racial do povo brasileiro e do uso da palavra por alguns entrevistados na pesquisa do IBGE.

22/07/2011 - Agência Brasil
Muitos se autoclassificam morenos para não se declarar negros, diz pesquisador

Quem não cita as categorias branca, preta, parda, amarela e indígena, afirma que é moreno (21,7%) ou negro (7,8%).
De acordo com a pesquisa, os brasileiros levam em conta a cor da pele (74%) e a origem familiar (62%), além dos traços físicos (cabelo, boca, nariz), citados por 54%

Rio de Janeiro. A população brasileira sabe qual é a própria raça ou cor. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira dia 22/7/2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 96% dos brasileiros conseguem autoclassificar-se e que 65% usam uma das cinco categorias do órgão.

Quem não cita as categorias branca, preta, parda, amarela e indígena, usadas tradicionalmente pelo IBGE em suas pesquisas, afirma que é moreno (21,7%) ou negro (7,8%). Para o órgão, o fato de as pessoas se identificaram com base apenas nessas sete categorias encerra um mito.

"Existia um folclore no sentido de que teríamos mais de 100 categorias diferentes para se autoclassificar, uma salada de cores. A pesquisa mostra que não, que as pessoas escolhem uma das sete categorias", diz um dos responsáveis pelo estudo inédito, José Luís Petruccelli.

Embora a população tenha consciência da cor ou raça, muitos usam o termo "moreno" para evitar se declarar como preto ou pardo (negro), acrescenta o pesquisador. "Moreno é um termo para fugir da questão. Pode ser quase qualquer um, pode ser bronzeado de sol ou afrodescendente."

De acordo com a pesquisa, para se autoclassificar, os brasileiros levam em conta a cor da pele (74%) e a origem familiar (62%), além dos traços físicos (cabelo, boca, nariz), citados por 54%.

Em relação à ancestralidade, a maioria dos entrevistados reconheceu ascendência europeia (43,5%), entre as nove possibilidades dadas no questionário. Quanto à origem familiar, 21,4% citaram a ancestralidade indígena e 11,8%, a africana.

A Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça" foi feita em 15 mil domicílios no Amazonas, na Paraíba, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso e no Distrito Federal, no ano de 2008.

A pesquisa está disponivel pra baixar em pdf no site do IBGE no link: Características Étnico-Raciais da População - um estudo das categorias de classificação de cor ou raça 2008.


-> Arquivo: 12.1.2012 : Salão da Dona Zica cabelereira Beleza Natural no Facebook
-> Arquivo: 12.1.2012 : Livro sobre o mito do sangue puro no Brasil
-> Arquivo: 14.11.2011 : A origem afro-brasileira de usar roupa branca e pular ondas do mar no ano novo
-> Arquivo: 14.11.2011 : O primeiro presidente negro do Brasil
-> Arquivo: 25.7.2011 : Extra paga ndenização de R$ 260 mil por racismo contra criança
-> Arquivo: 25.7.2011 : Re Cotas - Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 15.5.2006 : A não representação dos afro-descendentes na História do Brasil
-> Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
-> Arquivo: 14.4.2005 : Uma história não contada
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Busca no Mercado Livre : IBGE, Racismo, Smartphone, Tablet e Morenos

12.1.12

Salão da Dona Zica cabeleireira Beleza Natural no Facebook


Liga que desde março de 2011 o salão Beleza Natural da dona Zica cabeleireira especializada em cabelos cacheados, pixainhos e penteados afro tem uma fanpage no Facebook: www.facebook.com/pages/Beleza-Natural/147151175355611, até agora com 10.109 fãs. A correria inclui promoções valendo uma pá de prêmios da hora como kits de cosméticos, como essa que já encerrou mas foi anunciada no blog do Beleza Natural em 9/1/2012: Promoção bonito é brilhar de dia e de noite. Vai vendo o prêmio: Kit Solar composto por Creme de Pentear Solar, Creme de Tratamento Tradicional ou Babaçu e shampoo e condicionador da Linha 4 Elementos mais Kit Brilho Intenso  composto por Creme de Pentear Brilho Intenso, Creme de Tratamento Tradicional ou Babaçu e shampoo e condicionador da Linha 4 Elementos. Dei um pião e não achei nenhuma info sobre a linha de cosméticos Beleza Natural, mas se repetir o sucesso dos salões, sai da frente que cabelo avoa!

Beleza Natural no Orkut

Mesmo com as promos no Facebook, parece que a banca do salão não deixou o Orkut de lado. No blog Beleza Natural tem um post de rimando sobre um orkontro com clientes e colaboradores, sente só - 5º Orkontro Beleza Natural - com direito a visita a filial de Jacarepaguá no Rio de Janeiro/RJ, eleição da Musa Beleza Natural, workshop, brindes, uscambau. O blog tem um link pro perfil oficial Beleza Natural no Orkut, com 973 amigas (no limite), e participa das comunidades Beleza Natural (8.104 membros) e Zica Beleza Natural (9.635 membros). A primeira comunidade tem o link do blog Viciada em Beleza da engenheira Cleyde.


-> Arquivo: 27.7.2011 : Serviços de beleza em domicílio e no escritório
-> Arquivo: 8.7.2011 : Salão Beleza Natural da Dona Zica: site, blog e canal no YouTube
-> Arquivo: 8.6.2006 : Beleza Natural, a ex-empregada doméstica que virou empresária
-> Arquivo: 13.11.2006 : Sites de aluguel de bolsa Prada, games originais, uscambau.
-> Arquivo: 15.5.2006 : A não representação dos afro-descendentes na História do Brasil
-> Arquivo: 29.4.2006 : Sou Feia Mas Tô na Moda, documentário de Denise Garcia 
-> Arquivo: 31.3.2006 : Venda Porta em Porta no Jornal Diário de SP
-> Arquivo: 13.1.2006 : Deize Tigrona no Royal Baile Funk no Vegas 16/1/2006
-> Arquivo: 31.10.2005 : Salão de beleza em domicílio, matéria no Estadão
-> Arquivo: 8.7.2005 : Novas profissões - Broker infomediário de bares e restaurantes no Orkut
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Cabelo , Relaxamento, Hidratação e Afro
-> Blog Brindes, Amostras Grátis e Coisas Achadas no Lixo : Cabelos

27.12.11

A origem afro-brasileira de usar roupa branca e pular ondas do mar no ano novo

fé

Ano novo chegando, festá, reveillon, queima de fogos, chupar uva, comer romã, vestir calcinha e cueca nova, estourar champanhe, pá e tal. Uma pá de crendices, supertições, mandingas e rituais pra garantir um ano novo com felicidade, dinheiro, saúde, sorte, segue a rima. Molecada a milhão, todo mundo vestindo roupa branca e no perrenge do trânsito pra chegar na praia e no dia primeiro de janeiro pular 7 ondas no mar.

Liga que desse agito todo tiozinho de taça de espumante na mão até esquece que alguns costumes tem origem nos rituais das religiões afro-brasileiras, seguidas por todas as crenças nas festas de entrada de ano. Vai vendo.

Roupa Branca

No candomblé o branco é a cor do orixá Oxalá e na umbanda os médiuns geralmente vestem-se de branco, orientação que teria vindo do Caboclo das 7 Encruzilhadas. Segundo o verbete Oxalá na Wikipédia o Orixá é associado à criação do mundo e da espécie humana, considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do panteão africano. Simboliza a paz, é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana. É calmo, sereno, pacificador; é o criador e, portanto, é respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertencem os olhos que vêem tudo. No verbete Umbanda na Wikipédia defende a importância dessa religião fundada em 1908, sincrética com o espiritismo de Allan Kardec, que adotada por brancos de classe média acabou sendo aceita pelas autoridades e polícia, contribuindo para a tolerância com todos os cultos afro-brasileiros desde então.

Pular 7 Ondas no Mar

O ritual de pular ondas e oferecer oferendas no mar é ligado ao Orixá Yemanjá, originalmente filha de Olokun a dona do mar e muitas vezes reverenciada como a rainha do mar nos países da diáspora africana. O verbete Yemanjá na Wikipédia explica que o nome da Orixá deriva da expressão Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes") e também foi conhecida pelo nome Janaína na época da escravidão e perseguição aos cultos pagãos. A festa de Yemanjá é celebrada em 2 de fevereiro em Salvador/BA mas no Rio de Janeiro a Praia de Copacabana era o local preferido de celebração dos fiéis, local onde atualmente é celebrada a maior festa de reveillon do mundo com a queima de fogos transmitida para todo o Brasil.

O blog do Grupo Boiadeiro Rei publicou em 27/12/2011 uma reza do ritual das 7 ondas:

Pular as sete ondas no final do ano
(...) Pular 7 ondas ajudaria a invocar os poderes de sete Orixás poderosos e no final a Iemanjá a deusa do mar, que purifica e nos dá força para vencer os obstáculos do ano que está por vir.

Primeira Onda Pai Obaluaê
Que nosso Pai Obaluaê retire todas as doenças de nossas vidas
Segunda Onda Pai Xangô
Que nosso Pai Xangô nos de a Justiça em nossas vidas
Terceira Onda Pai Ogum
Que nosso Pai Ogum proteja nossos caminhos
Quarta Onda Mamãe Oxum
Que nossa Mamãe Oxum proteja nossa família e amigos
Quinta Onda Pai Oxossí
Que nosso Pai Oxossí proteja nosso trabalho e nos de força na caminhada
Sexta Onda Cosme e Damião
Que nossos queridos Cosme e Damião proteja nossas crianças e nosso futuro
Sétima Onda Mamãe Iemanjá
Que nossa Mamãe Iemanja ilumine e proteja o ano novo que se inicia.

No final saia de costas do mar e saúde nosso Pai Oxalá, fazendo uma corrente de força em todos seus pedidos e que receba sua firmação aqui com muito amor ao próximo.
-
Bem louco. Ligeiro tirei a teia de aranha e postei até na comunidade Religiões Afro-Brasileiras no Orkut: Me contaram uma historinha que muito tempo atrás, há milianos, usar roupa branca e pular ondas no mar na passagem de ano era coisa de macumbeiro.

Sentiu firmeza? Fui, nem me viu!


-> Arquivo: 14.11.2011 : O primeiro presidente negro do Brasil
-> Arquivo: 9.8.2011 : Re Carta Capital - Brown, o mano charada
-> Arquivo: 25.7.2011 : Extra paga ndenização de R$ 260 mil por racismo contra criança
-> Arquivo: 25.7.2011 : Re Cotas - Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
-> Arquivo: 8.12.2006 : A origem da árvore de Natal
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 4.10.2005 : Cotas para afrodescendentes nas empresas e corporações
-> Arquivo: 27.9.2005 : Dia de São Cosme e Damião na Wikipédia
-> Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Busca no Mercado Livre : Carnaval, Reveillon, Umbanda, Roupa Branca, Tablet e Candomblé


14.11.11

O primeiro presidente negro do Brasil


Milianos o tiozinho Emanoel Araujo,  artista, escultor, diretor de museus, uscambau, foi entrevistado pela jornalista Sonia Racy do jornal O Estado de São Paulo em 2/11/2009 e no meio da rima toda - reproduzida no site do Ministério da Cultura em Este é um país desesperador  - respondeu esta pergunta.
Sonia Racy: Já tivemos um presidente negro no Brasil?
Emanoel Araujo: Sim, Nilo Peçanha. Mas ele nunca se assumiu como negro porque naqueles tempos não havia condições para tal. Mas o cerne da questão é levar a mensagem de que precisamos de políticas públicas para a igualdade racial e cultural.

O verbete Nilo Peçanha na Wikipedia em português manda o salve o perrengue dele ser mulato, afro-descendente e ter tido uma infância pobre comendo "pão dormido e paçoca", tipo, foi o 7º presidente da república brasileira (1909 - 1910) e ainda eleito senador e presidente do Estado do Rio de Janeiro duas vezes (1914 - 1917 e 1903 - 1906).  Dando um pião no Google, trombei com os posts O único presidente negro da história do Brasil no Guia Macabu e O filho do padeiro que virou presidente do Brasil no blog A Nova Ericeira.

Nilo Peçanha foi eleito vice-presidente e assumiu depois da morte de Afonso Pena, no corre da presidência inaugurou a Biblioteca Nacional, criou o Serviço de Proteção aos Índios, uscambau.

100% morro do coco! Antigamente quilombos, hoje periferia.


-> Arquivo: 9.8.2011 : Re Carta Capital - Brown, o mano charada
-> Arquivo: 1.8.2011 : Thaide entrevista Mano Brown na TV (Capão Redondo)
-> Arquivo: 25.7.2011 : Extra paga ndenização de R$ 260 mil por racismo contra criança
-> Arquivo: 25.7.2011 : Re Cotas - Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 4.10.2005 : Cotas para afrodescendentes nas empresas e corporações
-> Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
-> Arquivo: 7.5.2005 : Afrodescendentes argentinos, los primeros desaparecidos
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-> Busca no Mercado Livre : Rap, Racionais, Smartphone, Grafite, Tablet e História
 

9.8.11

Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

Mano Brown em A Família convida - Sta. Bárbara

Thread sobre hip hop na Lista Radinho. Publicado originalmente no wiki Tabadotupi.tk

Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

29.09.2004 - Falai' Fabiano, Kuja, Mau, Radinhos,
Fabiano repassou:
Cartacapital.terra.com.br/site/exibe_materia.php?id_materia=1730
Tb trombei com essa materia de capa da Carta Capital, liga q a revistinha acompanha o movimento milianos, na levada da economia e do social. Tipo, no lancamento do CD Nada como um dia apos o outro dia, uma tiazinha da revista colou no show de lancamento (num galpao industrial na ZL) e versou uma reportagem. Nessa materia mais recente, a reporter ficou no sapatinho, fez um catado de entrevistas anteriores e da rima q o Brown gravou no CD do KLJay.

Liga q o maluco e' anti-midia e se pam, por isso mesmo, midiatico ate' umas horas. Dois palitos, tem o dom de vender mais revista, daquele jeito. Mas paguei um pau mesmo pro texto q saiu na versao impressa da materia, com uma tiazinha psicanalista da USP, q se jogou num paper bem louco, vai vendo:

www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/Kehl5.htm

Trechos:
As Fratrias Orfãs, por Maria Rita Kehl

(...)
Acontece que os Racionais não estão interessados nem em reinar sobre a miséria (o que seria isto? uma forma mais sedutora de dominação?) nem em esconder a miséria para inglês ver. Seu público alvo não é o turista - são os pretos pobres como eles. Não, eles não excluem seus iguais, nem se consideram superiores aos anônimos da periferia. Se eles excluem alguém, sou eu, é você, consumidor de classe média - "boy", "burguês", "perua", "babaca", "racista otário" - que curtem o som dos Racionais no toca-CD do carro importado "e se sente parte da bandidagem" (KL Jay). Ou seja: não estão vendendo uma fachada de malandragem para animar o tédio dos jovens de classe média.
(...)


Na mesma revista, tem uma matéria sobre a Tati Quebra-barraco, e diferente da Veja, e do resto da midia de massa, uscambau, a mina da Carta Capital teve o dom de replicar as letras dos funks sem cortar palavrao, teve o dom!

Liga q a fita carioca pra mim tb e' hip hop, e a gringaiada tb se jogou em sacudir o popozao. Milidias trombei com essa entrevista de um DJ alemao no multiply:
www.multiply.com/journal/item/4?last_read=1

Ich bin feia mas to na moda :-D

Fui, nem me viu!

|//
Tupi

Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

29.09.2004 - Msg de Volponi

Fenomenal esse texto, tupi. Joga algumas luzes muito interessantes sobre
o "movimento do movimento", os manos criando sua irmandade para
sobreviver neste mondo cane.

É de "pagar pau".

[]'s
volponi


Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

29.09.2004 - Msg de Charles

volponi escreveu:
Fenomenal esse texto, tupi. Joga algumas luzes muito interessantes sobre o "movimento do movimento", os manos criando sua irmandade para sobreviver neste mondo cane.

Trechos que me chamaram a atenção:

Agora é diferente. A esquerda talvez ainda não saiba o que fazer, ou o que propor, para os milhares de rappers que, liderados pelo Mano Brown, parecem interessados em radicalizar um discurso contundente de oposição.
Mas os "manos" têm uma idéia um pouco mais precisa de sua revolução, a começar pelas armas: sua palavra em primeiro lugar. Em seguida, sua "consciência", sua "atitude"- expressões empregadas insistentemente nas letras dos Racionais, e que em termos gerais significam: orgulho da raça negra e lealdade para com os irmãos de etnia e de pobreza.

(...)

O tratamento de "mano" não é gratuito. Indica uma intenção de igualdade, um sentimento de fratria, um campo de identificações horizontais, em contraposição ao modo de identificação/dominação vertical, da massa em relação ao líder ou ao ídolo. As letras são apelos dramáticos ao semelhante, ao irmão: junte-se a nós, aumente nossa força.

Vá um decendente de alemães (alemães que vieram para o país no século XIX, logo muito antes do nazismo) defender orgulho de raça e tal tipo de união... Logo vai aparecer alguém me acusando de nazista.

"Ah, mas eles são pobres, tem que lutar contra a injustiça!"

Sim, são, mas aqui onde eu moro também há muitos brancos, mulatos, negros, índios, etc, etc, etc pobres.

Eu simplesmente olho essa conclamação à união por critérios de raça que o Racionais faz e penso em uma coisa: fascismo.

[]'s
Charles
O livro é o ícone da liberdade - Jorge Froes

Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

29.09.2004 - Msg de Tupi Namba

Falai' Charles,

Liga nois:

"Preto e branco pobre se parecem mas nao sao iguais."
Racionais MC's

"O problema nao foi o dia 13 de maio, mas o dia 14."
Arany Santana dos Santos, Secretaria da Reparação Racial de Salvador/BA

"O rap e' a CNN dos pretos'
Public Enemy

Sentiu firmeza?

Fui, nem me viu :-)


|//
Tupi

Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

29.09.2004 - Msg de Charles

Tupi falou:
Sentiu firmeza?

Não, não senti.

E se é para falar de racismo para mim a única coisa que mata ela é a miscegenação. Não é nem consciência, é o fim das etnias mesmo.

[]'s
Charles
O livro é o ícone da liberdade - Jorge Froes

Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

30.09.2004 - Msg de Kuja

E se é para falar de racismo para mim a única coisa que mata ela é miscegenação. Não é nem consciência, é o fim das etnias mesmo.

assunto explosivo e polêmico (e completamente off-topic)...

o pior é que tanto os argumentos do Charles como os do Tupi são válidos.

o primeiro prega a democracia racial e ataca o racismo invertido de certos grupos extremistas negros.

o segundo entende que a opressão transcende a esfera racial, pois é fruto de uma luta de classes, na acepção marxista do termo.

mas, se eu tivesse que escolher uma posição, eu escolheria a do segundo.

em minha opinião, se formos delimitar a discussão dentro da esfera racial, corremos o risco de ficarmos presos em temas como "afirmação positiva", que não explica nem resolve nada.

a essência do problema continua sendo a luta de classes, não de classes de trabalhadores, mas de classes sociais.

e, neste quesito, estamos mal. muito mal.

não temos a chamada cultura de participação.

o Brasil precisa recuperar um enorme tempo perdido.

precisamos criar cooperativas de trabalhadores.

micro-créditos para pequenas iniciativas.

co-gestão em fábricas.

missões educativas.

frentes de saúde pública.

mídia alternativa (real, não simulacros)

enfim... o rap paulista, com todos os ranços machistas e importações de postura "gangsta", ao menos aponta para esses caminhos.

é pouco. muito pouco.

mas é alguma coisa.

kuja

Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

30.09.2004 - Msg de Maratimba

é pouco. muito pouco.
mas é alguma coisa.

salve kuja,

agora esse diazinho ruim pelo menos tem algo interessante pra pensar no cafe...

lembrei na hora dessa frase

"O Terceiro Mundo vai explodir! Quem tiver de sapato não sobra..."

Alguem conhece?

maratimba


Re: Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

30.09.2004 - Msg de m.

Alguem conhece?

Ê
o bandido da luz vermelha , o filme.

tb tem em rubro zorro, do ira!

m.


Re: Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

30.09.2004 - Msg de Tupi Namba
Kuja analisou:
(o Tupi) entende que a opressão transcende a esfera racial, pois é
fruto de uma luta de classes, na acepção marxista do termo.
Falai' kuja, radinhos,

Mil graus o mano Kuja rimando uma analise e a sugestao de uma pa' de fitas pra fazer o adianto dessas tretas aqui em pindorama, tipo desde milianos, 500 anos de exterminio, uscambau.

Mas vai vendo, se pam o bagulho nao e' so' luta de classes, materialismo dialetico, uscambau. Tipo, to ligado q a escravidao do sec. XVI - XIX pode ser um modelo economico pre industrial, mas liga q o modo de operacao e a ideologia rodava em cima de uma base racial. Sangue nos olhos pra escolher quem ia ser encarado como ser humano ou mercadoria, a logica virava so' em cima da cor da pele. 1-2 tava na cara quem ia entrar nesse sistema usando chapeu marreta e quem ia estralar chicote, daquele jeito.

Tipo, se pam esse esquema cabuloso e' lado a lado com a tragedia do holocausto da segunda guerra. Q ate' podia ter base politico-economica mas foi cruel ate' umas horas. Entender a heranca da diaspora africana, sequestro, cativeiro, trabalhos forcados, exterminio, uscambau so' como treta luta de classes, economia... ai' ficou pequeno.

Liga q o mundo civilizado deu um trampo grandao pra tentar reparar a injustica do holocausto, onu,
nuremberg, pa' e tal. Ate' hoje tem disque denuncia pra caguetar qq ex-gambe q participou daquela paradinha sinistra. Ligou, dois palitos o mossad tem o dom de enquadrar, vai vendo:

Operation Last Chance
www.wiesenthal.com/social/press/pr_item.cfm?ItemID=6011

Sem miseria.

Entao, o estado e a elite economica q assinou canetinha na diaspora africana, ate' hoje da' fuga, passa um pano, mas nem de querer justica e puxar cadeia por um crime contra a humanidade. Vai vendo, tem uma historinha de q o historico e o registro da entrada, transacao, obitos, biometria, etnia, uscambau, de todo o fluxo do trafico escravista era bem documentada e detalhada a milhao. Assim q deixaram pra princesa decretar a lei aurea, tiozinho do governo imperial mandou queimar tudo, pagando uma de q nao ia dar chance pra pedido de indenizacao dos proprietarios (para patrao fazendeiro a lei era desapropriacao, intervencao do estado contra o direito de propriedade), mas se pam tb era pra atrasar o lado da inclusao e resgate de quem era vitima de verdade.

Milianos, assistindo "E o vento levou", vi uma cena representando o pos-guerra civil americana, onde um personagem pagando uma de agiota, segurava uma placa "3 acres and a mule" na frente de uma fila de ex-escravos recem libertados. "3 acres and a mule" tb e' o nome da correria do Spike Lee, entao, dei uma busca no Google e achei a historinha dessa rima. Vai vendo, tinha um general nortista invocado ate' umas horas. Qdo derrotou uma goma sulista, na treta toda cresceu o olho no fazendeiro adversario mais feroz. Dois palitos, mandou libertar todos os escravos, e ainda dividiu a terra e os animais no esquema "3 acres and a mule" pra cada familia q fazia o trampo forcado naquela fazenda do ex-inimigo. Ligeiro a fita toda prosperou, e a concorrencia com os outros produtores playboys, deixou uma pa' de tiozinho no veneno. O fim dessa historia nao contrariou a estatistica, depois anos, com os mortos na guerra comendo vitamina debaixo da terra, a elite trocou uma ideia e o juiz aceitou o pedido de reintegracao de posse do latifundiario, daquele jeito.

Aqui em pindorama, se pam enquanto tiozinho fingia pagando uma de inocente, forrava o malote com politica de imigracao apoiada e subsidiada pela elite e pelo estado. To ligado q uma pa' de imigrante q vinha do hemisferio norte, nem pagava passagem e se pam ate' recebia lote financiado. Hoje, dando um piao nas metropoles tupiniquins, toda a mao a gente tromba com o resultado do bolinho etnico racial, q tanto pode pagar uma de diversidade e tolerancia como ao mesmo tempo de resultado de injustica e preconceito. Antigamente quilombos, hoje periferia. 500 anos de exterminio, demorou!

Fui, nem me viu.

|//
Tupi


Re: Re: Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

30.09.2004 - Msg de MaGioZal

Tupi escreveu:
registro da entrada, transacao, obitos, biometria, etnia, uscambau, de todo o fluxo do trafico escravista era bem documentada e detalhada a milhao.

Pelo o que sei quem mandou fazer isso foi o Rui Barbosa, que curiosamente é mais lembrado positivamente por aí como "A águia de Haia"...

Essa queima de documentos foi algo realmente lamentável, porque cortou com machado o link que os descendentes de africanos escravizados no Brasil poderiam ter com as origens de sua história. Tanto é assim que negros brasileiros dificilmente é possível ir além do nível de bisavô na sua documentação...

A África, da mesma maneira que a Europa, era cheia de nações, línguas, religiões e culturas diferentes entre si, embora por aqui os brancos sempre qualificassem todos como meramente "negros"...

De repente se os documentos históricos do tráfico negreiro estivessem disponíveis, talvez fosse possível para os afro-descendentes traçar a origem de seus antepassados. Mas hoje em dia, graças a Rui Barbosa, essa é uma tarefa dificílima, quiçá impossível.

MaGioZal
blog individual mondo-exotica.net/magiozal/
blog coletivo blog.lugaralgum.com/
fotolog fotolog.net/_magiozal/

Re: Re: Re: Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

05.10.2004 - Msg de Tupi Namba
MaGioZal falou:
A África, da mesma maneira que a Europa, era cheia de nações, línguas, religiões e culturas diferentes entre si, embora por aqui os brancos sempre qualificassem todos como meramente "negros"...
Falai' Magiozal, radinhos,

Liga q e' cruel ate' umas horas, mas se pam no sistema escravagista, os proprietarios e a sociedade incluida reconheciam a milhao as diferencas entre uma pa' de nacoes e etnias africanas uscambau. Vai vendo, no livro Casagrande e Senzala, tiozinho Gilberto Freyre, q era herdeiro de senhor de engenho, cagueta uns esquemas onde bacana dividia as etnias conforme a pretensa aptidao de cada uma pras correrias. E se ligavam em atrasar o lado nunca deixando a senzala dominar com a banca de uma so' nacao, lingua ou costume. Vai vendo, servicos domesticos, cozinha, capinagem, derrubar mata, mexer na garapa, carpintaria, tudo era dividido daquele jeito entre bantus, nagos, zulus, angolas, fulas, jejes, pa' e tal. Cada um, cada um. E' embacado ou nao e'?

Tipo, tem tb gravuras de Debret, com retratos das diferentes nacoes e seus aderecos, figurinos, tatuagens e cicatrizes ritualisticas ou forcadas, q milianos identificava quem fazia o corre aqui em pindorama. Tiozinho Ruy Barbosa comandou a fogueira q queimou toda a papelada, mas ligeiro imperio e republica tiveram o dom de passar um pano na identidade e qq referencia entre as nacoes. 500 anos de exterminio, antigamente quilombos, hoje periferia. E' muita treta.

Fui, nem me viu!

|//
Tupi


Re: Re: Re: Re: Re: Re: Carta Capital - Brown, o mano charada

05.10.2004 - Msg de r'

li em algum lugar que um dos modos de garantir que a
"viagem" do navio negreiro seria "sem incidentes" era
misturar tribos que nao falassem a mesma lingua.
assim nao podiam se organizar.

profissas, os caras

r'

-> Arquivo: 4.8.2011 : Street fighter capoeira
-> Arquivo: 4.8.2011 : Re: Técnicas nazistas na publicidade
-> Arquivo: 1.8.2011 : Re: The Revolution Will Be Webified
-> Arquivo: 1.8.2011 : Thaide entrevista Mano Brown na TV (Capão Redondo)
-> Arquivo: 20.7.2011 : História do Tupi da Taba Parte 1 (1995 a 2000)
-> Arquivo: 14.7.2011 : Racionais MC's e Mano Brown (fake) no Twitter
-> Arquivo: 7.7.2011 : Guetostar, de volta eu tô no rap
-> Arquivo : 16.12.2005 : Sou feia mas tô na moda, documentário de Denise Garcia
-> Arquivo : 18.10.2005 : Entrevista de Mano Brown sobre armas e desarmamento para o Jornal Agora
-> Arquivo: 26.4.2005 : MV Bill no Roda Viva da TV Cultura
-> Busca no Mercado Livre : Rap, Racionais, Smartphone, Grafite, Tablet e DVD de Rap

25.7.11

Extra paga indenização de R$ 260 mil por racismo contra criança

Hey, want a biscuit?
Hey, want a biscuit?, a photo by Danilo D. L on Flickr.
Liga notícia no jornal O Estado de São Paulo do dia 21/7/2011, tipo tiozinho do Supermercado Extra aceitou pagar R$ 260.000,00 de reparação por preconceito e racismo em cima de uma criança afrodescendente de 10 anos. História cabulosa, sangue nos olhos em cima do moleque que tinha acabado de comprar biscoito e gasto o dinheiro na loja, vai vendo:
Supermercado paga R$ 260 mil a criança alvo de racismo
Estadao.com - 21/7/2011

O garoto negro T., de 10 anos, que acusa seguranças do Hipermercado Extra da Penha, na zona leste de São Paulo, de tê-lo chamado de "negrinho sujo e fedido" e de ter sido obrigado a tirar a roupa, foi indenizado em R$ 260 mil pela empresa. Os seguranças suspeitavam de furto. A criança não havia levado nada.

O caso ocorreu em 13 de janeiro. Segundo depoimento da criança no 10.º Distrito Policial (Penha), ele foi abordado por três seguranças e levado para uma "sala reservada" com outros dois garotos, de 12 e 13 anos. Após as ofensas raciais, um segurança "japonês" (com feições orientais) o ameaçou com uma "faquinha de cabo azul", com um tubo de papelão - dizia que "era bom para bater" - e afirmou que ia "pegar um chicote".

O garoto foi obrigado a tirar a roupa e, só depois, os seguranças verificaram que T. levava nota fiscal de R$ 14,65, que comprovava a compra de dois pacotes de biscoito, dois pacotes de salgadinhos e um refrigerante. O documento foi anexado ao inquérito e é uma das principais provas contra os seguranças.

Mesmo puxando a indenização e pagando o malote todo de real bacana da empresa não teve o dom de assumir a culpa e assinar canetinha. A reportagem do jornal continua, sente o drama:
Apesar da indenização, o Grupo Pão de Açúcar afirma "não reconhecer" as alegações. Segundo o texto do acordo, a indenização foi concedida "por mera liberalidade e sem qualquer assunção de culpa nas esferas cível ou criminal". Os seguranças envolvidos, segundo a empresa, foram demitidos.

O Grupo Pão de Açúcar ainda afirmou que "repudia qualquer ato discriminatório, pauta suas ações no respeito aos direitos humanos e esclarece que o assunto foi resolvido entre as partes". "A investigação criminal não pode parar. Nesse tipo de caso, as punições têm de ser exemplares. São crimes muito graves, que podem marcar a pessoa para a vida toda. Especialmente quando a vítima é uma criança", disse o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ivan Seixas, que acompanhou o caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Moleque brincando, sai correndo, pretinho dando pinote, 1-2 é enquadro. 260 mil é pouco, 500 anos de extermínio: antigamente quilombos, hoje periferia.

Tipo aquela rima dos Racionais: "preto e branco pobre se parecem, mas não são iguais".

É embaçado ou não é?


-> Arquivo: 23.8.2006 : Indenização por crime de racismo: Justiça condena supermercado a pagar R$ 60 mil
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 4.10.2005 : Cotas para afrodescendentes nas empresas e corporações
->Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
->Arquivo: 7.5.2005 : Afrodescendentes argentinos, los primeros desaparecidos
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Racionais MCs e Afro

Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

Capa Cotas raciais

Thread sobre ação afirmativa e educação na Lista Radinho. Publicado originalmente no wiki Tabadotupi.tk

Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

29.03.2006
On 3/27/06, Edney Souza wrote:
Argumentação coerente em torno das cotas e assuntos relacionados:
agenciacartamaior.uol.com.br/materia_id=10445

Falai' Edney, radinhos,

Liga nois q o tiozinho do blog Liberal Libertario Libertino tb mandou um salve, ligeiro mudando de ideia e 1-2 defendendo acao afirmativa. Vai vendo:

- liberallibertariolibertino.blogspot.com/2006/03/favor-das-cotas.html

Ligeiro ja' ta' forrado de comments e trackbacks... mas se pam nao vai repercutir mais do q qdo ele rimava aquela historia do cachorro Oliver no furacao Katrina :-)

Demorou.

Antigamente quilombos, hoje periferia.

\//
Tupi

Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Fabiano Onça

Caro Tupi,

Li o comentário sobre as cotas da Agência Carta Maior e também o blog do Libertino, que não me pareceu assim tão liberal, quiçá libertário.

Em poucas palavras, acho que não é justo o sistema de cotas. É, na minha opinião, um lobbie imposto por uma das correntes da sociedade, mais especificamente o movimento negro. Foi aceito pelo perdulário do Lula por um simples motivo: dá um tremendo ibope. É uma medida, na minha visão, populista e demagógica.

Honestamente, acho que uma pessoa não consegue completar seus anos de estudo não por causa da cor. Mas sim por causa da pobreza. É a pobreza e não a cor que alija as pessoas e lhes rouba a chance de uma formação minimamente decente.

(Não estou negando que o Brasil não seja racista. É um país racista sim. Mas não existe segregação oficial em escolas, por exemplo. E a cor não é fator de escolha para cargos públicos, por exemplo. Existem outras coisas indecentes, como ser vítima preferencial de batidas da polícia e outras, mas não existe uma política oficial discriminatória, como havia nos EUA)

É bem verdade que boa parte da população negra coincide em sua maior parte com a população pobre. Fruto da escravidão - raciocínio perfeito. E da espiral da pobreza é dificil sair. Mas também existem brancos pobres. Provavelmente filhos de imigrantes italianos que eram paupérrimos na Itália e continuaram paupérrimos no Brasil, seja porque trabalharam no café ou porque deram o sangue nas fábricas em empregos sub-humanos. Há também os mulatos. E índios. E japoneses. E mais aquele monte de gente que, por levas sucessivas de miscigenação, já não sabe dizer exatamente o que é, a não ser brasileiro :-). O que os une é a miséria. E todos, não só os negros pobres, mas todos, sofrem >>igualmente<< dos efeitos devastadores da pobreza.

Por isso, para mim, fica sem sentido eleger uma minoria de pobres (minoria cuja definição é amplamente polêmica. Afinal, o que é ser negro?) e dar a eles tratamento especial. Ótimo, garantam-se as cotas dos negros pobres!! Mas o que fazer com todos os outros pobres??? (se vocês acham que não existe branco de olho azul passando fome, visitem o interior de Santa Catarina). Por acaso um branco pobre não merece ser tratado com a mesma preocupação que um negro pobre? Podemos então distinguir entre as pobrezas? Podemos afirmar que uns caíram na miséria por fatores mais legítimos que outros?

Imagino a cena: "Olha, meu filho, você vai poder entrar nas cotas, porque seu bisavô era escravo. Quanto a você, seu filho de imigrante sujo, quem mandou seus ancestrais não darem duro o suficiente?".

Sinceramente, uma vez que hoje adotamos o estilo republicano - herança do grande imperador Napoleão, que consolidou a Revolução, que Deus o tenha e que castigue o maldito Wellington com as chamas do inferno - acho que é imprescindível a meritocracia. Agora, é claro: quando existem escolas públicas degradadas e escolas particulares para uma elite endinheirada, o mérito é evidentemente distorcido.

Então, Deus, ò Deus, o que fazer? (Palpite todos podem dar, então dou o meu)

1) Sistema de cotas baseado na condição >> socio-economica << e não na cor.

2) ou então, sistema de cotas reservando metade das vagas para escolas públicas (o que na prática é quase o mesmo que a primeira proposta)

3) Investir na recuperação da educação pública - um dos serviços mais básicos e propositalmente menos trabalhado por todos os governos semicolonialistas que ora nos governam.

Finalmente, uma última observação. Qualquer sistema baseado em cor ou raça privilegia uma parcela necessariamente em detrimento de outra. Nenhuma raça, por qualquer motivo, por qualquer alegação, por qualquer injustiça anterior poderia, IMHO, exigir medidas compensatórias que prejudiquem ou desvalorizem os demais cidadãos (porque antes de mais nada, no sistema republicano, somos cidadãos). É dessa semente que nasce o nazismo.

Grande abraço,

Onça

Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de rene

e, se nao me engano, em termos de censo a sua cor e' a cor que voce declara ter. se o pesquisador perguntar para mim qual minha cor e eu disser branco, jambo, cafe-com-leite ou o que for, ele e' obrigado a aceitar.

e como funcionaria cotas por raça? exame de dna? ou pelo que eu digo que sou?

r


Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
30.03.2006 - Msg de Marcelo Cukierman

Eu já acho que a cota começa errado pois não define quem é negro. Se não for por teste de DNA, não tem como saber com certeza. Por exemplo, uma pessoa que tenha um bisavô negro e todos os outros parentes de outra cor, é considerado negro? Se não, há negros e negros. O filho do Gilberto Gil, por exemplo, terá o mesmo privilégio que o filho da empregada?

O que essa resrva de vagas faz é nivelar por baixo. Faculdade e universidade é - teoricamente - um lugar de elitismo intelectual. Se os estudantes da maior parte das escolas públicas são mal ensinados, que se eleve o nível das escolas. em vez disso, reduze-se o das universidades. Uma pena... é o Brasil ficando ainda mais para trás.

Há um tempo atrás, a OECD fez uma pesquisa do nível de ensino de matemática e de interpretação de texo com estudantes de 45 países - Brasil no meio (www.pisa.oecd.org). No teste de matemática, os alunos brasileiros ficaram abaixo do nível de competência mínimo (o impacto da origem sócio-econômica é pequeno), e o Brasil só ficou acima da Indonésia e da Tunísia. Em capacidade de resolução de problemas, o mesmo caso se repetiu: alunos brasileiros só forma melhor que tunisianos e indonésios. em ciência, os alunos brasileiros só forma melhor que os tunisianos. Ou seja: como formar engenheiros e pesquisadores se os alunos não têm habilidades matemáticas básicas? E a nota mais alta dos alunos brasileiros mal chegou à média dos primeiros colocados. (o resumo executivo do relatório está disponível em www.pisa.oecd.org/dataoecd/1/63/34002454.pdf)

São estudantes assim que se quer colocar na universidade? O pior de tudo é que eles podem até entrar, mas não vão conseguir completar o curso - ou vão completar em 8 anos, torrando dinheiro e roubando vagas dos mais capacitados. Por outro lado, é uma grande iniciativa para a criação de faculdades privadas de elite, já que muitos bons alunos não poderão cursar as universidades públicas. Será mais um esvazaimento das universidades públicas, é só questão de tempo.

Marcelo

Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Tupi
On 3/30/06, Fabiano Onça wrote:
É bem verdade que boa parte da população negra coincide em sua maior parte com a população pobre. Fruto da escravidão - raciocínio perfeito. E da espiral da pobreza é dificil sair. Mas também existem brancos pobres.
Falai' Onca, radinhos,

Liga q as cotas se pam fazem parte do esquema de acoes afirmativas na levada das reparacoes e pagamento de crime contra a humanidade. Tipo indenizacao mesmo q tardia aos descendentes dos q sofreram trabalho forcado, sequestro, insalubridade, maus tratos, carcere, exterminio.

Tipo pindorama encarando um 14 de maio, data q bacana sempre deu fuga.

Liga a rima dos Racionais: preto e branco pobre se parecem mas nao sao iguais.
Imagino a cena: "Olha, meu filho, você vai poder entrar nas cotas, porque seu bisavô era escravo. Quanto a você, seu filho de imigrante sujo, quem mandou seus ancestrais não darem duro o suficiente?".
Entao, eu acho q imigracao e escravidao sao 2 lados da mesma moeda.
Liga q o governo imperial nao tinha plano nenhum de introduzir os ex-escravos no mercado. Mas subsidiou, financiou e pagou passagem de navio, hospedagem, salario e rango pra uma pa' de imigrante.

Se pam, burocrata e dono de fazenda levava uma fe' q exotando os ex-escravos e trazendo uma pa' de europeu e asiatico ligeiro ia clarear o pais. Cabelo avoa.

Liga q o Charles blogou tb decepcionado com a mudanca de opiniao do LLL:
www.charles.pilger.com.br/blog/2006/03/29/cotas/

Entao, sera' q o bisavo dele pagou passagem? Cumpriu o contrato todo com a fazenda?
Da' pra comparar pau a pau com outro maluco q o tataravo foi capturado, veio acorrentado, espremido e depois vendido no mercado? E' muita treta.

Dando um piao pela quebrada, colando em qq firma e shopping ou assistindo na TV vc ve o resultado desse esquema desigual. Ta' me tirando?

Tem um tiozinho q fez um catado de discursos dos q usaram dinheiro publico pra financiar o inicio da imigracao e escreveu um livro cabuloso: Uma História Não Contada - Negro, Racismo e Branqueamento em São Paulo. Tipo, tinha bacana fazendo continha e acreditando q em 100 anos o pais nao teria mais afro-descendentes, liga nois: tupidataba.blogspot.com/2005/04/uma-histria-no-contada.html

Plano cabuloso, na Argentina foi eficaz. Liga a rima do escritor argentino q o Pdoria mandou um salve - Afrodescendentes Argentinos, Los primeros desaparecidos: tupidataba.blogspot.com/2005/05/afrodescendentes-argentinos-los.html

E' embacado ou nao e'?
Finalmente, uma última observação. Qualquer sistema baseado em cor ou raça privilegia uma parcela necessariamente em detrimento de outra. Nenhuma raça, por qualquer motivo, por qualquer alegação, por qualquer injustiça anterior poderia, IMHO, exigir medidas compensatórias que prejudiquem ou desvalorizem os demais cidadãos (porque antes de mais nada, no sistema republicano, somos cidadãos). É dessa semente que nasce o nazismo.
Entao, o holocausto nazista foi condenado por crime contra a humanidade e todos os individuos, corporacoes e empresas q participaram foram julgados e punidos. Tiveram assumir a culpa, pagar e indenizar as vitimas.

Liga q ano passado mesmo, herdeiros de sobreviventes do holocausto provaram q bancos suicos estavam lado a lado com os nazistas e ligeiro expropriaram com juros e correcao monetaria:
www.timesonline.co.uk/article/0,,3-1570422,00.html

Tem ate' aquele livro crescendo o olho nos contratos da IBM com o estado nazista, tipo fornecendo apoio tecnologico pra industria do exterminio. Se pam tb vai ter q assinar canetinha, enquadra e devolve o malote.

Sem justica nao ha' paz.

Com a escravidao tem q ser o mesmo esquema. Indenizacao e reparacao aos descendentes daqueles q foram sequestrados e mantidos em carcere privado. Crime contra humanidade, holocausto ate' umas horas.

Se comecar com cotas, ta' valendo, e' tudo nosso. Vacilou, tem q buscar.

Demorou.

Antigamente quilombos, hoje periferia.
500 anos de exterminio.

\//
Tupi


Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Ale

Otimas informacoes, Marcelo! Os links serao extremamente uteis para um trabalho que terei de desenvolver sabado na minha pos-graduacao!

Concordo com voce.

Alem disso, o sistema de cotas é um exemplo de preconceito. O proprio sistema e' discriminatorio. Como se apenas o fato de ter a cor de pele negra ja diminuisse as capacidades e a chance de competir de igual para igual com os outros. Além disso, o sistema e' inconstitucional (ja diz na constituicao: somos todos iguais, com os mesmos direitos e deveres). Este sistema e' utilizado, como uma esmola, com fins politicos.

Eh o que chamamos de "inclusao" social. Mas muito mais importante do que a quantidade de alunos que tem acesso ao ensino, e' a qualidade de ensino que temos. Ensino para quem? Para formar que tipo de cidadao? Com que finalidade?

Nao e' o sistema de cotas em universidades que deve ser trabalhado, mas e' a base da educacao. Alguem ja leu pesquisas sobre a quantidade de universitarios que nao conseguem, por n razoes, concluir seu curso? Eh impressionante! So para citar um exemplo, quando comecei minha faculdade a turma era formada por 50 alunos. Destes, apenas 15 se formaram!

Sem um ensino fundamental e medio de qualidade, sera que o jovem vai estar preparado intelectualmente a ate mesmo emocionalmente para realizar um curso superior?

Investir na educacao como um todo, principalmente na valorizacao dos professores (incluindo politicas de incentivo, formacao continuada e etc.), e' o mais sensato para obter resultados positivos a medio e longo prazo (so que resultados de medio e longo prazo nao compram voto).

Com relacao aos criterios, sei que nos EUA a coisa e' muito mais organizada do que aqui no Brasil, la (pelo que foi repassado por uma doutora em educacao, na minha aula de pos-graduacao do sabado passado) voce e' considerado negro se ate a sua 10ª geracao tiver um individuo da raca negra. Por exemplo: voce pode ser branco, seus pais tambem, seus avos, bisavos, etc, mas se na sua 10ª geracao tiver um negro, voce e', por lei, considerado negro.

( )'s
Ale
www.justale.blogger.com.br


Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Edney

Minha salada étnica = índio+português+negro

Sou bisneto de português, neto de caboclo, tataraneto de índio e por aí vai... Pra quem quiser saber a tribo eu descendo dos botocudos :)

Eu nasci na periferia bem do lado do mato, mais de 30 quilômetros do centro, não era um barraco mas o vizinho da esquerda e o de trás moravam em barracos. Estudei em escola pública, aprendi mais em casa com os livros, a escola já não era lá essas coisas e acho que hoje ainda conseguiu piorar. Consegui mudar minha condição social e cultural porque tive educação fundamental, não por méritos do estado ou por méritos econômicos, mas graças aos meus pais que me proporcionaram meios de fazer isso.

Talvez um trabalho de conscientização dos pais e mães, distribuição de livros, oficinas de leituras, jogos pedagócios, etc... Tivesse mais impacto em nosso futuro que um sistema de cotas. Acho difícil o cara que chegou 'estragado' na universidade sair de lá e se dar bem no mercado de trabalho. As vezes essa campanha pelas cotas parece mais uma alternativa defendida por quem cresceu sem estrutura e percebeu que vai se dar muito mal na vida se não 'ralar' pacas, então o militante tenta 'arrumar' o próprio lado, ele pode até argumentar que quer um futuro diferente para seus filhos, mas e as gerações que estão nascendo agora? Estão condenadas ao mesmo calvário para depois encarar uma solução paleativa?

( )´s

Edney Souza - São Paulo - www.interney.net

Re: Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Tupi
On 3/30/06, Edney Souza wrote:
Consegui mudar minha condição social e cultural porque tive educação fundamental, não por méritos do estado ou por méritos econômicos, mas graças aos meus pais que me proporcionaram meios de fazer isso.

Falai' Edney, radinhos,

Teve o dom!

Entao, liga q ano passado 2 moleques afrodescendentes estavam chegando
pra prova do vestibular e resolveram acelerar o passo pra nao se
atrasar. Ligeiro foram confundidos com assaltantes, os gambes nao
levaram uma fe' na historia da hora do vestibular e os 2 perderam a
prova.

Liga nois: observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=314CID003

Se pam, podiam ser seus vizinhos... da mesma quebrada, perto do mato, pa' e tal.
Podia ser o mesmo dia q vc prestou vestibular, mas vc conseguiu chegar.
Os moleques vao ter q no minimo vao ter q esperar mais 1 ano e nao
vacilar nem dar brecha ate' conseguir pegar o papel e lapis na mao.
Acho difícil o cara que chegou 'estragado' na universidade sair de lá e se dar bem no mercado de trabalho.
Ze povinho estragado nem vai pagar um pau de querer desfilar de
caderninho debaixo do braco. Esse afunda o nariz, so' o po' na capa do
caderno.

Conversa de canudo e' pra moleque esforcado, tipo A q assiste filme B
e toma leite C.
Tenta a sorte, 1 por amor, 2 pelo dinheiro.
As vezes essa campanha pelas cotas parece mais uma alternativa defendida por quem cresceu sem estrutura e percebeu que vai se dar muito mal na vida se não 'ralar' pacas, então o militante tenta 'arrumar' o próprio lado, ele pode até argumentar que quer um futuro diferente para seus filhos, mas e as gerações que estão nascendo agora?
Se daqui milidias vc trombar na saida da escola com a diversidade
etnica e social q representa pindorama, ta' valendo. A treta e' colar
em uma universidade, firma ou shopping e ver q afrodescendente e' so'
pra fita de porteiro, seguranca ou faxineiro. Ai' e' embacado.

Demorou.

Sem miseria!

\//
Tupi


Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

30.03.2006 - Msg de Daniel Rodrigues

Gente, essa questão de cotas é meramente política.. ninguém tá preocupado se o negro vai viver melhor daqui a dez anos. o que importa é a propaganda que isso gera agora.

Faz parte da bandeira que o lula paz e amor levantou no começo do governo dele e até hoje sustenta. Isso tem o mesmo objetivo de perdoar as dívidas dos países africanos, defender fome zero em Davos, etc..

Propaganda é a alma do negócio. Taí o bono vox pagando pau pra provar. Beleza que o bono é sem-noção e pegou a katilce, mas isso a gente não conta :-)

Abs
Daniel Rodrigues


Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

31.03.2006 - Msg de Fabiano Onça

On 3/30/06, Tupi Namba wrote:
Liga q as cotas se pam fazem parte do esquema de acoes afirmativas na levada das reparacoes e pagamento de crime contra a humanidade. Tipo indenizacao mesmo q tardia aos descendentes dos q sofreram trabalho forcado, sequestro, insalubridade, maus tratos, carcere, exterminio.

Desculpe Tupi. Quer indenizar? Que se arrume outra forma. Não é justo que os outros se prejudiquem por conta das "ações afirmativas" de um grupo. Aliás, esse termo sempre me dá mal estar, porque tem um certo tom "fascista".

O problema é que tem gente aqui pensando da mesma forma abusiva que os judeus de lá. Querendo transformar isso numa indústria de reparação. Sugiro que você leia "A Indústria do Holocausto", escrita pelo Norman Filkenstein, cujos pais são sobreviventes de Auschiwtz. Ele relata a bandalheira em que se transformaram as reparações aos judeus, com organizações judaicas achacando bancos suíços e alemães repetidamente. Se houve erro, já tem gente abusando do sentimento de culpa alheio (e da publicidade negativa que isso geraria caso os bancos não pagassem).

Tipo pindorama encarando um 14 de maio, data q bacana sempre deu fuga.

Não sei o que é o 14 de maio. Diga lá.

Liga a rima dos Racionais: preto e branco pobre se parecem mas nao sao iguais.

Isso faz parte, no meu ponto de vista, da auto-glorificação que grupos de rap fazem da sua própria condição. Bazófias. Preto pobre e branco pobre são iguais sim. Quem pensa o contrário é racista, diria eu.

Entao, eu acho q imigracao e escravidao sao 2 lados da mesma moeda.
Liga q o governo imperial nao tinha plano nenhum de introduzir os ex-escravos no mercado. Mas subsidiou, financiou e pagou passagem de navio, hospedagem, salario e rango pra uma pa' de imigrante.

Pagar uma passagem é condição de que eles tiveram um tratamento digno aqui? Você acha que os imigrantes receberam algum tipo de subsídio? Aqueles pobres coitados foram transportados, mas depois tinham que pagar tudo de volta para o dono da fazenda. E a historinha é antiga, a conta nunca fechava, só aumentava. Eram tão pobres-coitados quanto os ex-escravos. Todo mundo explorado, proletário.

Se pam, burocrata e dono de fazenda levava uma fe' q exotando os ex-escravos e trazendo uma pa' de europeu e asiatico ligeiro ia clarear o pais. Cabelo avoa.
Liga q o Charles blogou tb decepcionado com a mudanca de opiniao do LLL...
Entao, sera' q o bisavo dele pagou passagem? Cumpriu o contrato todo com a fazenda? Da' pra comparar pau a pau com outro maluco q o tataravo foi capturado, veio acorrentado, espremido e depois vendido no mercado? E' muita treta.

Estamos falando de períodos históricos diferentes. De certo modo, o que os capitalistas descobriram, já nos 1800, era que era mais barato manter um trabalhador do que um escravo. Mas a coisa não mudou muito não. As jornadas de trabalho eram de 16 horas, havia todo tipo de humilhação e por aí vai. A vantagem é que quando um imigrante morria dava para substituir por outro. Quando o escravo morria, o fazendeiro perdia um bem.

Dando um piao pela quebrada, colando em qq firma e shopping ou assistindo na TV vc ve o resultado desse esquema desigual. Ta' me tirando?

Sim, sem dúvida, existe acho que por toda a sociedade ocidental um preconceito contra os negros que, até a segunda guerra, era plenamente aceitavel. Vale lembrar que na marinha americana os negros não combatiam, eram relegados à cozinha. Isso me parece ser normal - não que não seja lamentável - em sociedades escravagistas. Estou lendo um livro sobre Roma em que há várias citações de personalidades da época falando mal dos judeus e dos gregos - dizendo que escravos desses povos não são confiáveis e não são educáveis. Some-se isso com a condição em que os negros foram "atirados à liberdade", me parece perfeitamente compreensível que na TV só se veja gente branca, nas firmas só se veja gente branca e tal...

Tem um tiozinho q fez um catado de discursos dos q usaram dinheiro publico pra financiar o inicio da imigracao e escreveu um livro cabuloso: Uma História Não Contada - Negro, Racismo e Branqueamento em São Paulo. Tipo, tinha bacana fazendo continha e acreditando q em 100 anos o pais nao teria mais afro-descendentes, liga nois

Sim, mas o que isso tem a ver com a questão da igualdade de direitos em relação às cotas? Conheço o livro, fala do processo de exclusão do ex-escravo no período posterior à escravidão e tal. Entenda uma coisa: não acho que o negro não tenha sido injustiçado. Foi e é. Mas existem outros tipos de injustiça que não são menos relevantes. Por exemplo, contra os nordestinos aqui no Sudeste. É tão ultrajante quanto. Entretanto, não vejo ninguém propondo cota para os nordestinos e nem obrigando as escolas a terem uma disciplina "História do Nordeste". Agora, esse lobbie das "Ações Afirmativas" quer obrigatóriamente incluir uma disciplina "História da África Negra". É de um racismo incrível. Porque não incluímos também "História do Líbano", para fazer jus aos imigrantes libaneses. E também "História da América pré-descobrimento" para honrar os índios. E "História dos Japoneses", afinal, eles foram tratados com muita discriminação quando aqui chegaram e durante o período da segunda guerra.

Plano cabuloso, na Argentina foi eficaz. Liga a rima do escritor argentino q o Pdoria mandou um salve - Afrodescendentes Argentinos, Los primeros desaparecidos.
E' embacado ou nao e'?

Olha, não nego o sofrimento dos negros. Mas elevar o sofrimento de um grupo acima dos outros, torná-lo incomparável, isso é de um fascismo sem limites. Quem hoje em dia faz isso, ironicamente, são alguns grupos judaicos. Transformaram o holocausto no Holocausto. Uma tragédia ímpar. Desculpe, basta ler sobre História para ver pelo menos três outros grandes holocaustos no século XX: Bósnia, Ruanda, Armênios, Curdos. Isso fora os índios norte-americanos no século XIX. Então, acho que a ação afirmativa é um perigo sim. O perigo de elevar um grupo a uma esfera onde não é mais possível comparação ou julgamento.

Entao, o holocausto nazista foi condenado por crime contra a humanidade e todos os individuos, corporacoes e empresas q participaram foram julgados e punidos. Tiveram assumir a culpa, pagar e indenizar as vitimas.

Tupi, o que eu falo é que os alemães nazistas começaram o papinho de nazismo da mesma forma que os negros da ação afirmativa. O discurso era: a Alemanha foi injustiçada. A raça alemã precisa ser recompensada. Tudo que é muito autoreferente, como estas "ações afirmativas", me dá medo. Ou porque é muito ingênuo ou porque é muito bem pensado.

Liga q ano passado mesmo, herdeiros de sobreviventes do holocausto provaram q bancos suicos estavam lado a lado com os nazistas e ligeiro expropriaram com juros e correcao monetaria

Pois é. É a terceira ou quarta vez que os bancos são achacados por isso. Estranhamente, a lista de sobreviventes do holocausto aumentou, e não diminuiu, com o decorrer dos anos.

Com a escravidao tem q ser o mesmo esquema. Indenizacao e reparacao aos descendentes daqueles q foram sequestrados e mantidos em carcere privado. Crime contra humanidade, holocausto ate' umas horas.

Olha, sugiro que a indenização comece pelos caras que capturaram os negros. Não nos esqueçamos que essa indústria era muito lucrativa não apenas para os brancos opressores, mas também para os negros opressores. Vários estados africanos, como por exemplo o poderoso reino do Mali, faziam da venda de tribos inimigas um excelente negócio.

Sinceramente, pensar as coisas em termos de raça não dá certo.

Se comecar com cotas, ta' valendo, e' tudo nosso. Vacilou, tem q buscar.

Discordo. Tem que começar direito. Criar uma injustiça porque existem injustiçados não me parece uma maneira razoável de se fazer justiça.

Antigamente quilombos, hoje periferia. 500 anos de exterminio.

Tupi, gosto de ti. :-)

Onça


Re: Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

31.03.2006 - Msg de rene

ola' Fabiano,

confesso que nao li tua treplicas, bem como outras replicas da
questao. o tema e' atual, as questoes envolvidas sao serias, eu mesmo
careço de mais embasamento pra opinar, mas eu tambem me pergunto se
nao vamos aqui aumentar a temperatura do inbox de 670 pessoas com um
debate com grande vocacao para flame war.

o que voces acham?

abracos

rene'


Re: Re: Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

31.03.2006 - Msg de Fabiano Onça

Acho que você tem razão. É um prazer discutir com o Tupi, espero que ele não tenha se sentido ofendido. :-)

Grande abraço,

Onça


Re: Re: Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

31.03.2006 - Msg de Luciana

É isso aí Rene.
Discussão bacana, mas interminável.
Luciana.

Re: Re: Re: Re: Re: Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas

31.03.2006 - Msg de Tupi

On 3/31/06, Fabiano Onça wrote:
Acho que você tem razão. É um prazer discutir com o Tupi, espero que ele não tenha se sentido ofendido. :-)

Falai' Onça, rene, radinhos,

Nem esquenta, teve o dom!

Tudo pelo debate!

Como MV Bill mandou um salve: traficando informacao.
A banca do rap ja' ta' ligada, email e microfone e' mais eficaz q uma arma :-)

Mas liga q a industria do Holocausto e' bem melhor q a industria do exterminio.

Se pam tem q ter mais filmes tipo Amistad e Lista de Schindler, daquele jeito :-D

Entao, 14 de maio foi o dia seguinte ao decreto q sobrou pra princesa Isabel assinar.
Q q aconteceu nesse dia? E', uma pa' de tiozinho da' fuga de responder.

Liga q na gringolandia, naquela treta da guerra da secessao, general nortista espalhou a conversa d q a cada fazenda sulista libertada, cada familia de escravos teria direito a 3 acres e uma mula. Demorou.

Da' linha na pipa? Ou melhor nao rimar sobre esse assunto pq a opiniao ja' ta' formada?

Frase de parachoque de caminhao: de onde menos se espera, dai' e' q nao sai nada mesmo.

:-D

A revolucao nao sera' televisionada!

\//
Tupi


-> Arquivo: 23.8.2006 : Indenização por crime de racismo: Justiça condena supermercado a pagar R$ 60 mil
-> Arquivo: 23.8.2006 : Relatório da ONU sobre racismo no Brasil
-> Arquivo: 24.4.2006 : Marcelo Paixão da ONG Observatório AfroBrasileiro, entrevista no Estadão
-> Arquivo: 6.3.2006 : Faculdades Zumbi dos Palmares
-> Arquivo: 1.2.2006 : Projeto Terra Negra Brasil - Financiamento agrário para afro-descendentes
-> Arquivo: 4.10.2005 : Cotas para afrodescendentes nas empresas e corporações
->Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
->Arquivo: 7.5.2005 : Afrodescendentes argentinos, los primeros desaparecidos
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Racionais MCs, Hip Hop e Afro
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