14.7.05

Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados

Gelede African Mask Ceremony, Benin

Vai vendo, liga notícia de milidias, 13/5, no UOL News uscambau: Movimento negro busca reparos financeiros por escravidão.
Demorou! Crime contra humanidade não pode deixar quieto q aí a chapa esquenta. Liga q pela rima, a fita toda aqui em pindorama é correria da Adami Advogados Associados, teve o dom!
Olha a conversa:

13/05/2005
Movimento negro busca reparos financeiros por escravidão
Por Marcos de Moura e Souza

SÃO PAULO (Reuters) - Há um mês, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, em visita ao Senegal, pediu desculpas aos africanos pelo regime de escravidão ao qual foram submetidos por 300 anos no Brasil. Agora, defensores dos direitos dos negros brasileiros querem que Lula pague a conta.
A idéia - que ganha corpo entre setores do movimento negro - é que o Estado brasileiro pague indenizações em dinheiro para descendentes de escravos como forma de reparar danos morais e materiais históricos. Ainda hoje, a população negra do Brasil é mais pobre, tem menos anos de estudo e menor expectativa de vida que a população branca.

O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão há exatos 117 anos, em 13 de maio de 1888, e concentra a maior população negra do mundo, à exceção da Nigéria. Quase 50 por cento dos brasileiros são negros --segundo definição do IBGE para o grupo que reúne "pretos" e "pardos"--, o equivalente a cerca de 80 milhões de pessoas.
"A onda de reparações vem beneficiando judeus que sofreram com o Holocausto e os japoneses presos durante o macartismo. No Brasil, fortunas são pagas pelos que foram presos políticos durante o regime militar. Ninguém reclama de nada disso", disse à Reuters o advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara).

"Então por que o negro não pode também receber uma reparação? Não se pode comparar o Holocausto à diáspora africana? Será que o sofrimento do negro é mais barato?", questiona Adami.
A proposta da qual Adami é um dos porta-vozes tem um paralelo com o movimento Reparation Now, dos Estados Unidos, que defende que governo e empresas que lucraram com a escravidão indenizem seus afrodescendentes.
Mas no Brasil, a idéia poderia enfrentar obstáculos adicionais. A miscigenação entre negros e brancos aqui é muito mais acentuada que nos EUA e, portanto, definir quem tem sangue de escravo africano nas veias -- tornando-se assim merecedor da reparação-- pode ser algo bem mais difícil.

REGISTROS DESTRUÍDOS

Outro eventual problema é que no fim do século 19, o governo brasileiro, por meio de Ruy Barbosa, destruiu quase todos os registros e documentos relativos à escravidão, o que torna hoje uma missão quase impossível para qualquer brasileiro provar legalmente que seu avô ou bisavô tenha sido escravo.

Para a diretora da ONG Geledés, Instituto da Mulher Negra, Sueli Carneiro, nada disso pode desqualificar a luta pelas reparações.
"Não se pode usar esses argumentos para inviabilizar um princípio ético e de justiça que impõe a necessidade de se reconhecer o agravo histórico cuja repercussão permanece até hoje", diz Sueli. "Casos de má-fé deverão ser tratados pela polícia e pela Justiça."

Nesta sexta-feira, outra defensora das indenizações, a vereadora de São Paulo Claudete Alves (PT) protocolou uma representação no Ministério Público Federal, pedindo que este analise e que ingresse com uma ação coletiva contra a União por danos materiais e morais causados pela escravidão. Advogados que assessoram a vereadora estimam que o valor das reparações deva ser de 2 milhões de reais por pessoa.
Mas no governo, assim como outros representantes do movimento negro, avalia-se que políticas de ações afirmativas sejam mais produtivas.

"Após o fim da escravidão, o Estado brasileiro não teve nenhuma ação efetiva para incluir a população negra e para que esta pudesse viver a sua liberdade", disse, por telefone, à Reuters, a ministra da Secretaria de Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Para ela, políticas públicas --como as cotas para negros em universidades e a inclusão da matéria História da África nas escolas, ambas adotadas sob o governo Lula-- são mais eficientes.
Reparações em dinheiro estão fora do horizonte do governo.


É embaçado ou não é?
Liga q o malote da compensação do holocausto judeu ainda tem enquadro, tiozinho fica ligado em não deixar quieto pra nazista pagar uma de impunidade. Mas nem. Tipo milidias mesmo banqueiro suiço q colaborou com genocídio, aceitando dinheiro de roubo e expropiação na base da violência e preconceito, ligeiro teve q devolver com juros, uscambau. Vai vendo notícia de abril de 2005, sobreviventes do holocausto ganham indenização de quase U$ 22 milhões contra bancos suiços que colaboraram com nazistas, é desse jeito: Holocaust survivor wins huge payout against Swiss banks.

IN THE largest single award against Swiss banks who betrayed their clients to the Nazis, a payment of $21.9 million (£11.6 million) to an elderly Los Angeles woman and a dozen relatives was approved by a US court, 65 years after their family’s fortune was stolen.
(...)
The victims and their families sued Credit Suisse Group, UBS AG and other banks, accusing them of stealing, concealing or sending the Nazis hundreds of millions of dollars worth of Jewish holdings and destroying millions of bank records.
(...)


Tiozinho não deixa quieto, sem miséria. Tipo, pra ter paz tem q ter justiça.
A revolução não será televisionada!
Antigamente quilombos, hoje periferia. 500 anos de extermínio.

->Arquivo: 7.5.2005 : Afrodescendentes argentinos, los primeros desaparecidos
-> Taba : Discursando : Nas listas : Comunidade Revolução : Re: Chutando o pau da barraca
-> Taba : Discursando : Nos Blogs : Charlie Intelligent : Re: Auto exclusão
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Compartilhando Banners : CD - Antigamente quilombos, Hoje periferia e Livro - Esmeralda, por que não dancei.

3 comentários:

Amandinha disse...

Tupi, seu blogue tem que ser leitura diária! Adoro a seleção de notícias que você faz, é tudo de muita qualidade. Parabéns!

A propósito: a libertação dos escravos no brasil foi declarada, mas não efetivada. Já está mais do que na hora de resolver, com justiça social, essas diferenças.

beijos

Tupi disse...

Falai' Amandinha. Valeu!

Reparações, ação afirmativa, justiça... demorou!

Maria Andréa A. Venancio disse...

Hoje assisti o último capítulo da Novela Sinhá Moça, juntamente com minha filha de 5 anos e fiquei sem respostas para o fato que vi, juntamente com todo povo negro do Brasil.
Eu convocaria para hoje uma assembléa e uma manobra de ação por parte de todos os negros deste país.
Nós não podemos mais suportar tanta exclusão e ainda sofrer atos de racismo vindo de toda parte em pleno séc.XXI.
Gostaria de deixar aqui o meu apelo para que algo mais incisivo seja feito, se precisarem de alguém para convocar os negros a sairem as ruas exigindo suas indenizações, me coloco a inteira disposição!!!
Negros deste Brasil!!!! Vamos sair do ostracismo e da passividade, vamos brigar pelo o que é nosso por direito!!! Não são só os judeus a única vítima do mundo!!!! Este país nunca terá sua integridade enquanto não reparar os seus erros para com este povo.

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