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30.8.06

Vencedores do concurso de design de carrinhos para sem teto


Pump & Jump
Originally uploaded by tupi.

Liga milidias mandei um salve aqui sobre o Designboom Shelter in a Cart concurso gringo de design pra veiculos movidos a traçao humana, pra morador de rua, agente independente de reciclagem, uscambau.

Liga q o site oficial do esquema ainda nem publicou os trampos finalistas mas ligeiro o blog Treehugger teve o dom de postar as fotinhas, ilustras, projetos, dos finalistas e do vencedor, uscambau. Vai vendo:

Treehugger - Shelter in a Cart Competition

Sentiu firmeza? Tipo, quem ganhou foi uma banca de gregos, mais na levada convencional, essa imagem q copiei com ideia de usar bagulho inflavel, e do finalista coreano, bem louco.

Se virar, virou. Sem miseria!

-> Arquivo: 16.6.2006 : Casa instantânea móvel, dobrável e com laptop na Designmai 2006
-> Arquivo: 10.4.2006 : Casa de vestir, roupa de morar
-> Arquivo: 21.3.2006 : Barraca móvel para sem-teto na Bienal de Arquitetura 2005
-> Arquivo: 13.1.2006 : Concurso gringo de Carrinho para sem teto ou catador de recicláveis
-> Arquivo: 15.8.2005 : Projetos de arquitetura nômade de Lerner para Prefeitura de São Paulo no JT
-> Arquivo: 27.7.2005 : Concurso Design de Caráter Social - Transporte individual de carga e reciclagem
-> Arquivo: 8.12.2004 : Meme Corporativo - Ben & Jerry's patrocinando arquitetura e moda nomade homeless
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Pneus, Trekking e Carrinhos
-> Coletando : Amazon : Livros Mobile, the art of portable architecture
-> Compartilhando Banners: Livros Além da Globalização e A Economia Solidária no Brasil. A autogestão como resposta ao desemprego.

13.7.06

Projetos para favelas cariocas e o teleférico de Medellin


metro cable enero 2006 008
Originally uploaded by macrocéfalo.


Liga milidias no suplemento Revista do Jornal O Globo, edição de 30/10/2005, uma pá de arquiteto, engenheiro, urbanista, favelado, artista, intelectual, uscambau trocaram uma idéia. Tipo formando um bonde, rimando a história das favelas no Rio de Janeiro e ligeiro endolando projetos de arquitetura e urbanismo pro adianto dos manos, mandando um salve, vila, beco, puxadinho, pingela, viela. Se virar, virou. Olha a conversa:
Revista O Globo

A visão futurista da favela da Rocinha com elevadores, bondinhos, praças, avenidas, áreas verdes e fachadas multicoloridas, na capa desta edição da Revista O Globo, tem por objetivo provocar a imaginação dos leitores. A foto digital mostra um futuro possível, que se vislumbra na mistura de projetos de arquitetos convidados pela Revista O GLOBO a pensar em soluções urbanísticas para o Rio. Segundo o último censo brasileiro, há 400 mil domicílios (1,6 milhão de pessoas) em favelas no Grande Rio, dos quais 75% (300 mil domicílios, 1,2 milhão de pessoas) estão na cidade do Rio. As maiores vítimas da falta de infra-estrutura e segurança são os moradores dessas áreas. Mas o Rio tem a singularidade de misturar, na sua geografia, tornando ricos e pobres vizinhos. E talvez por isso haja entre os cariocas um maior incentivo ao exercício da solidariedade: interessa também à classe média e aos ricos da Zona Sul a urbanização dos morros que a circundam. A melhoria nas condições de vida nas favelas interessa a todos. E a Revista O GLOBO, nesta edição, dá sua contribuição ao debate.

30/10/2005, Marília Martins, editora

Projetos para a Favela

Arquitetos, urbanistas e engenheiros debatem soluções para a reurbanização dos morros cariocas e defendem a intervenção social do poder público no combate à pobreza e à violência.
30/10/2005, Por Márcia Cezimbra e Tania Neves

Para melhorar a vida no morro, um urbanista precisa antes responder a uma questão simples: o que é uma favela? Isso não foi problema para o arquiteto Manoel Ribeiro, ao ser sorteado entre os vencedores do concurso público do Projeto Favela-Bairro, para reurbanizar o Morro da Serrinha.

- A indignação com as favelas é injustificada porque elas são fruto da estrutura social. O favelado é aquele que, dentro do mercado imobiliário, não resolveu seu problema de habitação. É tão excluído que, por não ter emprego, nem fiador, paga R$350 por um quarto no Pavãozinho, o preço de um quitinete em Copacabana.

Berços do samba e da cultura carioca

Ex-coordenador do Projeto Rio Funk, desenvolvido em 11 favelas, Manoel conheceu multidões de jovens e suas famílias, que, com fé no futuro, faziam cursos de dança e DJ:

- Jovens de talento como Buia, um menino que sonhava ser um DJ quando crescesse, mas entrou para o tráfico e hoje está morto.

Apesar desse "know how" em favelas, Manoel praticamente mudou-se para a Serrinha com sua equipe multidisciplinar. Conheceu todo mundo e traçou uma sociogeografia para depois desenvolver com a comunidade seus projetos:

- A favela tem um forte remanescente de negros, que estão lá desde os anos 40, com jongo e macumba; gente interessante do cais do porto; sindicalistas politizados com espírito e luta e bom jogo nos trâmites políticos; artistas e músicos fundadores da Império Serrano.

Os nordestinos chegaram em bloco de Campina Grande nos anos 80. Não sabiam construir em encostas e se instalaram no topo plano do morro. Nos anos 90, vieram os novos pobres, frutos do desemprego, instalados em quartos de aluguel nos fundos das casas da cidade, à beira da favela. Com esse "mapa", Manoel começou a construir o que a comunidade desejava: quadras espalhadas para jongo, rodas de samba e ensaios de escolas, santuários para cultos espíritas. Transformou lugares bonitos como o antigo templo de molocu (ritual afro de sacrifício de animais) num espaço para festas de 15 anos. Até o lúmpen da meia-encosta, composto por viúvas de traficantes e bêbados, teve suas casas valorizadas por uma nova estradinha.

- Dei sorte porque a Serrinha tem uma identidade cultural. As pessoas sobem o morro para fazer cursos e ir a festas, consomem nos barezinhos improvisados. Para preservar isso, falta o título de propriedade para todos os moradores.

Para a antropóloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisa da Violência da Uerj, a maioria das favelas já não tem mais identidade definida:

- As favelas já não são mais de remanescentes de negros. Há uma maioria de nordestinos, de outra cultura e de outras religiões, que vive às turras com os espíritas. O berço do samba está sendo destruído. Depois de uma intervenção que enfrente o desespero de 98% de moradores que não têm ligações com o crime, mas vive entre o terror do tráfico e da polícia, será preciso ensinar nas escolas respeito à civilidade, para que os favelados possam, no mínimo, se tolerar. Os sambistas podem dar aula de tolerância. Eles são as pessoas mais maravilhosas que já conheci. Têm o culto da tolerância, aquela coisa do levanta e sacode a poeira...

Quando se fala o nome da professora Regina Bienenstein, da Universidade Federal Fluminense, nas comunidades já contempladas com projetos feitos pelo Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu), que ela dirige, vem uma saraivada de elogios. O motivo? Principalmente o modo como a arquiteta encara a favela.

- A favela é um estoque de moradias com problemas que devem ser tratados. Sem remoção. O caminho é fazer regularização fundiária e urbanística e dar infra-estrutura. A tendência depois é a própria comunidade se auto-regular e passar a coibir os abusos - defende Regina. - O que não pode é o poder público fazer tudo e depois abandonar. Tem que ficar para orientar.

O projeto que está sendo implantado no Morro Lara Villela, em São Domingos, levou meses sendo discutido em assembléias na comunidade. No novo desenho urbanístico, há ruas novas e mais largas e casas de áreas de risco foram retiradas. Para tanto, negociou-se a construção de cinco casas em áreas cedidas por moradores que tinham lotes maiores. A primeira está quase pronta.

O Nephu também está assessorando a comunidade nos pedidos de regularização fundiária dos lotes, num terreno de propriedade da União. Para Regina, a favelização só vai cessar quando houver oferta de moradias regulares, com subsídio para quem ganha até três salários-mínimos:

- As pessoas têm que morar, né?

Elevadores e bondes nos morros para que ninguém mais suba ribanceira todo dia depois do trabalho. Praças e palcos para shows em clareiras abertas nas encostas. Ruas pavimentadas, arborizadas, com redes de luz, água e esgoto, moradias confortáveis, com fachadas multicoloridas. Parece sonho? A Revista O GLOBO convidou arquitetos e urbanistas de várias tendências para debater soluções urbanísticas para melhorar a vida dos cariocas e descobriu que não faltam projetos para transformar as favelas em bairros confortáveis. A capa desta edição é uma fotomontagem da favela da Rocinha, que mistura sugestões de vários especialistas.

Há projetos que ainda estão no papel. Há arquitetos que se recusam a fazer projetos. Mas há outros que já viraram realidade, como é o caso da urbanização do Morro da Serrinha, em Madureira, projeto feito por Manoel Ribeiro, premiado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil e selecionado para a Bienal de Veneza. O projeto está detalhado no desenho desta página. Ou ainda o programa de reurbanização do morro de São Domingos, em Niterói, feito pela arquiteta Regina Bienenstein, professora da UFF.

Entre arquitetos, urbanistas, antropólogos e historiadores, há um consenso: não existe projeto urbanístico com possibilidades reais de ser implementado no morro sem que haja como pressuposto uma intervenção social forte e urgente do poder público para combater a pobreza e a violência - a do tráfico e a da polícia. Esta é também a opinião de arquitetos que se recusaram a fazer projetos, como Jaime Zettel, Alfredo Brito, professor da PUC-Rio e da UFRJ.

- Quem criou a favela foi o poder público, que, por omissão ou incentivo, deixou que soldados ex-combatentes da Guerra de Canudos, sem teto, ocupassem os fundos do QG do Exército, no Morro da Providência, em 1897. Esta foi a primeira favela do Rio. Portanto, a favela é a expressão urbanística da dívida social brasileira - diz Manoel Ribeiro.

Como não dá para acordar imediatamente desse "pesadelo" em que se transformou o cotidiano de violência no Rio, o arquiteto Paulo Casé, por exemplo, decidiu sonhar com uma fantasia possível: uma Rocinha linda, com casas coloridas - regularizadas em cartório - de classe média, elevadores para aliviar a subida e muitas praças para lazer, com bares, mercados e farmácias. O bairro seria atração turística internacional, um novo cartão-postal do Rio.

- Para uma situação absurda como a das favelas, só uma solução futurista. Mas nada impede que vire realidade - diz o arquiteto Paulo Casé.

O engenheiro José carlos Sussekind, calculista e executor de projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, com base em sua experiência na Linha Vermelha e em projetos de saneamento, faz um cálculo dos custos da intervenção urbanística nas favelas cariocas, levando em conta que, segundo o Censo, há 400 mil domicílios (1,6 milhão de pessoas) de favelados no Grande Rio, dos quais 75% (300 mil domicílios, 1,2 milhão
de pessoas) na cidade do Rio. Segundo ele, a urbanização deve seguir um meio-termo corajoso.

- São inaceitáveis as posturas extremas: a de que nada pode ser removido, e a oposta, de que tudo tem que ser removido. É sensato, exeqüível, vigoroso e corajoso o meio-termo realista que devemos exigir. Ninguém quer esmola, o que todos querem, inclusive e sobretudo os moradores das favelas, é emprego e segurança física — diz
Sussekind.

Ele defende a idéia de que cerca de um terço dos domicílios em favelas deve ser suprimido e reconstruído noutro local, enquanto o remanescente for urbanizado.

- O investimento necessário seria algo da ordem de R$3,3 bilhões. O número é o total de 133 mil casas populares a R$25 mil cada, já incluída, neste valor médio, a urbanização das áreas onde serão implantadas. Boa parte destes recursos voltaria aos cofres públicos, via pagamento das parcelas do financiamento, favorecido quanto a prazos, taxas etc, é claro, pelos adquirentes das casas, da qual terão título de propriedade.

Além disso, há o custo dos sistemas de transporte urbano de massa para atender eficazmente aos novos bairros com cerca de 500 mil habitantes no total, o que daria cerca de R$700 milhões. Ele prevê que, no início, linhas de ônibus, articulando esses bairros com as redes de metrô, já seriam suficientes.

- A urbanização dos dois terços de moradias restantes e das áreas remanescentes nas antigas favelas custaria cerca de R$1,5 bilhão. Mas a própria execução do programa de investimentos, a ser implantado ao longo de cinco anos, geraria mais de 50 mil novos empregos no Grande Rio. Nada gera tanto emprego quanto a construção civil. O importante seria começar por lugares ardidos e emblemáticos, como Rocinha e Vidigal...

De acordo com Sussekind, para cada comunidade (desde as pequenas até as maiores como Rocinha, Vidigal, Maré, Alemão) seria feito projeto especifico de revisão urbana total, prevendo grandes aberturas (por demolições de parte das habitações) de vazios (distâncias livres) entre grupos de habitação, para eliminar quantidades de construções grudadas, assegurando uma trama urbana e viária mínima, além de permitir circulação dos agentes públicos.

- Densidades máximas seriam fixadas para cada comunidade. O efeito gueto, inibidor da presença da lei, seria suprimido. Exemplo prático: no máximo 50% da área de solo da favela poderiam estar construídos; o que estiver a mais sai, via demolição. Não seriam toleradas construções com mais de três andares nem construções acima de determinada cota, nem construções distantes mais que determinado valor da infra-estrutura local. Seriam parâmetros objetivos, destinados a reduzir densidades já existentes.

Para o engenheiro, o pressuposto da urbanização é a descriminalização da cidade:

- É fundamental que se suprimam os postos físicos de comando e o controle dos chefes do crime, os atuais senhores feudais locais. E impedir a reinstalação de novos senhores no day after, claro. Em paralelo às supressões parciais em cada favela, os novos bairros iriam sendo construídos, com a preocupação e a atenção central à questão do transporte urbano de massa, a ligação entre moradia e local de trabalho. Unidades seriam vendidas, com financiamento em boa parte subsidiado aos novos moradores, oriundos das antigas favelas. Este financiamento seria a contribuição do governo federal, para ajudar pessoas a terem onde morar, em um bairro popular decente. O governo federal também tem obrigação de recuperar o Rio de sua atual condição de Medellin.

O arquiteto Paulo Casé faz questão de deixar claro que não é alienado, ignorante dos graves problemas sociais das favelas, ao sugerir elevadores para aliviar a subida dos morros. A solução imaginada por ele para a Rocinha poderia se estender a todas as favelas da cidade, já que seus dramas e suas misérias não podem se resolver de imediato, mas com o tempo, as novas gerações:

- A situação absurda da favela exige soluções aparentemente absurdas, como essa dos elevadores. Mas por que não?

Casé foi um dos coordenadores do Projeto Favela-Bairro no Morro da Mangueira. Dele resultou o livro "Favela". Ele diz que um dos sacrifícios dos moradores é subir morro todo dia, depois de uma pesada jornada de trabalho.

- Na Mangueira, projetamos praças para convivência e algum comércio que ficavam em alturas intermediárias para que o morador pudesse fazer uma pausa ou não precisasse descer e subir todo o morro para comprar um remédio numa farmácia. Os elevadores também teriam essas praças nos locais de acesso - diz.

É claro que antes de começar as obras, os moradores da favela precisarão ter o título de propriedade de seu imóvel para investir na sua conservação e na sua valorização. Os moradores retirados das áreas de construção de elevadores, praças e novas ruas seriam realocados em prédios de dois ou três pavimentos, em construções de qualidade, no alto da favela. Estes prédios, como mostra a fotomontagem desta página, serviriam de limite à expansão da favela. Novos gabaritos para a construção também estariam estabelecidos.

- O problema das favelas é civilizatório. Podemos transformar as favelas em bairros lindos de classe média, como a área antiga e alta de Lisboa, ou a antiga favela do Iêmen, hoje transformada em Patrimônio da Humanidade pela Unesco. As favelas do Rio podem ser pontos de atração turística, bairros lindos e criativos. Fora que os favelados se divertem muito mais que qualquer outra comunidade do planeta. Veja os suecos e dinamarqueses, por exemplo, ricos e bem-sucedidos. Quem se diverte mais, eles ou o pessoal da Rocinha? - pergunta.

A selvageria do tráfico e da polícia também seria resolvida nesse tal processo civilizatório. Os jovens, em vez de morrer aos 20 anos no tráfico, teriam acesso à escolarização e iriam preferir um ramo empresarial ao crime e à morte certa.

- Você acha que, se houver escolarização desses jovens, eles vão para o tráfico? Claro que não. Eles não são burros - imagina.

Em vários pontos, elevadores como o da cidade de Salvador, na Bahia, ligariam os níveis de acesso a praças e reduziriam o esforço da subida do morro.
A partir dessas novas praças, novas vias secundárias dariam passagens mais confortáveis às residências.
Os moradores das casas removidas para as obras de alargamento das praças e dos elevadores seriam realocados em prédios de dois ou três pavimentos no topo do morro. Essas moradias seriam de qualidade e dariam limite à expansão da favela.
As estruturas dos elevadores suportariam suprimentos de água, esgoto e coleta de lixo.

- Em Curitiba, as pessoas não gostam de viver em favelas porque o frio castiga. Normalmente, as invasões são em áreas alagadas. Então, os favelados querem ser removidos. Mas no Rio acho que elas devem ficar onde estão, corrigindo-se os problemas existentes. As experiências com remoção no Rio são terríveis, como o caso de Vila Kennedy, em que mandaram os moradores para longe e eles perderam seus vínculos.

Esse também é o pensamento do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Diretora da entidade, Sônia Le Coq acha que um caminho para enfrentar o problema no Rio é o governo fazer um estudo da possibilidade de aquisição das famílias e oferecer terrenos urbanizados e material de construção subsidiados, disponibilizando projetos e assistência técnica permanente para quem quiser construir.

- Somos contra a remoção, exceto para quem está em área de risco. Mas tem que haver intervenções públicas para urbanizar e estabelecer regras. É uma indignidade que, em pleno século 21, pessoas convivam com esgoto a céu aberto.

Para o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da UFRJ, Pablo Benetti, falta uma política habitacional concreta, que contemple o direito de as pessoas morarem onde quiserem morar:

- Uma pesquisa feita pela UFRJ mostrou que 70% das pessoas que moram em favelas gostam de morar lá e querem continuar naquele bairro. Por que o morador de uma favela tem que aceitar morar a quilômetros de distância e gastar nos transportes precários o tempo que teria para o lazer ou a família?

Num exercício com os alunos de arquitetura da UFRJ, vários professores propuseram que se estabelecesse um plano diretor para a Ilha do Fundão, onde fica a universidade, e todos esses projetos incluíram moradias nos espaços vazios da ilha.

- Assim como há vazios na Avenida Brasil e há galpões abandonados na região portuária e na antiga área industrial de São Cristóvão e Benfica, o Fundão também é um lugar próximo ao Centro que comportaria projetos habitacionais - diz Benetti. - No meu projeto, sugiro um mix de habitações para classe média e classe baixa. A habitação é uma forma de ocupação que garante o uso 24 horas por dia, e isso seria muito bom para essa região, que sofre com o isolamento e a falta de densidade, o que não permite uma rede de serviços diversificada.

História explica crescimento desordenado

Para o arquiteto Mauro Almada, da ONG ViverCidades, o problema só se resolverá quando o governo federal tomar para si a tarefa de oferecer moradias adequadas e compatíveis com a renda das classes menos favorecidas.

- A região portuária e os grandes vazios da Avenida Brasil poderiam abrigar muitas moradias, mas é preciso financiamento, e que o governo assuma isso como prioridade.

Para o historiador Antônio Edmilson Martins Rodrigues, professor da Uerj e da PUC, um erro comum à maioria dos projetos de reurbanização feitos até hoje no Rio é sempre ter privilegiado a manutenção (ou retomada) da cidade como vitrine, sem uma política pública que se importasse com as pessoas que foram expulsas das áreas. Ele diz que a remoção é boa para limpar a vitrine, mas que o poder público não se importa com os que saíram da paisagem e foram jogados para o outro lado da cidade, fora do eixo do transporte e do trabalho. Da mesma forma, quando se distribui tinta branca para pintar todos os barracos de uma favela, novamente a preocupação é com a imagem.

- Nunca houve preocupação real com essa população, mas com a retomada do espaço cheio de visibilidade que ela ocupava. Surgiu entre os excluídos uma elite dos que eram operários das fábricas da periferia, como a Bangu e a Esperança. Os que eram biscateiros no centro ficaram sem ocupação.

Nesse contexto, segundo Edmilson, a casa deixou de ter a condição de lar: para se sustentar, o sujeito vendia a laje para outro construir, e as expansões desordenadas se deram inclusive nos conjuntos habitacionais. Até os anos 50 e 60, prevalecia a idéia de que as comunidades faveladas eram mão-de-obra para as classes privilegiadas, e o receio era apenas que a proximidade desses bolsões de pobreza desvalorizasse os bons imóveis do asfalto. A partir dos anos 70, tomou-se um susto com o crescimento das favelas e a radicalização da violência nessas áreas. E aí surgiu o medo da favela.

- Somente uma política pública que de fato inclua todas essas pessoas tem chance de dar certo. Hoje qualquer intervenção precisa muito mais da vontade da sociedade civil organizada - atesta Edmilson.

Esta também é a opinião do arquiteto Alfredo Brito, professor da UFRJ e da PUC. Ele diz que, hoje, recusaria qualquer convite para realizar projetos para melhorar favelas, a menos que houvesse uma integração administrativa forte entre cidade, estado e o governo federal:

- O desrespeito pela população pobre é impressionante. Moro em Santa Teresa e conheço pessoas que vivem nas 17 favelas daqui. Elas passam por situações terríveis de miséria e pavor. Não dá nem para pensar num projeto urbanístico sem intervenção social.

O arquiteto Jaime Zettel concorda. Para ele, para resolver o problema das favelas é preciso uma intervenção social urgente e pontual, razão pela qual não se pode sequer discutir projetos urbanísticos nesta realidade atual.

Bem louco, tipo lembrei do esquema do teleférico na periferia/subúrbio da cidade de Medellin na Colombia. O Medellin Metro Cable, tipo um bondinho pagando uma de metrô de superfície, aéreo, subindo o morro, se pam estação no campinho, daquele jeito. Liga q na Colômbia a banca não fica só na conversa, 1-2 se jogaram, demorou. Maluco teve o dom de colar, tirar foto e publicar no Flickr e em blog, vai vendo:



Vi o Mundo - Concentração de renda dá ao Brasil a cara da Colômbia
Luiz Carlos Azenha

(...) O teleférico de Medellin foi o primeiro grande investimento da Colômbia oficial no mundo dos miseráveis.
Foi inaugurado há um ano e meio.

Antes, já havia sido construída uma linha de metrô ligando pela primeira vez o bairro dos ricos às comunas.
Uma forma de permitir que os servos tivessem transporte rápido até a casa dos patrões.

Feito acontece no Brasil, os colombianos endinheirados se escondem em condomínios super-protegidos, com cercas elétricas e seguranças fortemente armados.
Enquanto isso, nas comunas, Pablo Escobar cultivava aliados construindo casas, iluminando ruas, prestando serviços que o estado não prestava.
Igualzinho aos traficantes fizeram no Rio de Janeiro.
Nos bairros miseráveis Escobar recrutou os matadores que fizeram o serviço sujo em nome do cartel de Medellin - o bando que aterrorizou a Colômbia.

O serviço de teleférico transporta cerca de 30 mil pessoas por dia.
O bilhete é único: vale para o metrô e o bondinho.
Na estação que fica no topo do morro, há escola, banco e cooperativa para incentivar com empréstimos os pequenos empresários.

O prefeito de Medellin é um doutor em matemática que tem a maior taxa de aprovação entre os políticos da Colômbia.
A prefeitura investe 40% do orçamento em educação.
Deu para sentir, na comuna, o orgulho dos moradores com a obra que reduziu o crime no bairro.
Cerca de 300 mil habitantes de Medellin moram na região do teleférico.
Uma nova linha de bondinhos está sendo projetada.

A obra é um exemplo de como o estado pode ocupar espaços antes controlados pelo crime organizado.
Em Medellin, a população tem grande respeito pelo sistema de transporte integrado.
Não há lixo nos bondinhos, nem pichações no metrô.
Mas é apenas um começo.
A concentração de renda na Colômbia é escandalosa.
Pior, só mesmo no Brasil.
(...)

Liga a rima tipo arte da rua e a banca inventando narrativa aérea flutuante uscambau: Metrocable el avion de los barrios.
Quem é, é. Quem não é, cabelo avoa.
É tudo nosso. Sem miséria!

Update:
-> 4.8.2011 : O teleférico do Complexo do Alemão e transporte público para favelas e periferias

-> Arquivo: 21.3.2006 : Barraca móvel para sem-teto na Bienal de Arquitetura 2005
-> Arquivo: 12.12.2005 : Victoria Abril faz ponta no Cine Favela Heliópolis
-> Arquivo: 6.9.2005 : Festa na Favela Godoy para gravação do DVD
-> Arquivo: 2.8.2005 : TV a gato ou TV a cabo popular por R$ 15,00 por mês
-> Arquivo: 20.5..2005 : Rap no Jardim Monte Azul, 22/5/2005
-> Arquivo: 26.4.2005 : MV Bill no Roda Viva da TV Cultura
-> Arquivo : 24.9.2004 : Fundação Bauhaus, projeto urbanização da favela Jacarezinho RJ
-> Coletando : Amazon : Livros Mobile, the art of portable architecture e Anarchitecture. Architecture Is a Political Act
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Favela
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Carrinhos ou Teleférico

10.4.06

Casa de vestir, roupa de morar

Ana Rewakowicz, nômade moderna q mora onde quiser

Liga nóis correria bem louca dessa mina, Ana Rewacowicz. Trombei com video, fotos uscambau no site de uma exposição ano passado, no Canadá se pam.
Ela inventou tipo uma roupa q vira barraca. Pano bem louco, teve o dom.

Ana Rewakowicz, nômade moderna q mora onde quiser
Se virar, virou. Sem miséria!

-> Arquivo: 13.1.2006 : Barraca móvel para sem-teto na Bienal de Arquitetura 2005
-> Arquivo: 13.1.2006 : Concurso gringo de Carrinho para sem teto ou catador de recicláveis
-> Arquivo: 15.8.2005 : Projetos de arquitetura nômade de Lerner para Prefeitura de São Paulo no JT
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Carrinhos ou Barracas
-> Coletando : Amazon : Livros Mobile, the art of portable architecture
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos

21.3.06

Barraca móvel para sem-teto na Bienal de Arquitetura 2005


Barraca móvel para sem-teto
Originally uploaded by tupi.

Liga nóis notícia e fotinha no Jornal O Estado de São Paulo do ano passado. Tipo, tiozinho colou na 6.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, trombou com uma pá de propaganda, se pam estilo megastore de material de construção mas tb com uma fita de arquitetura nômade. Ligeiro mandou um salve:
Um pouco de utopia e outro tanto de showroom
Sábado, 5 de Novembro de 2005, Jotabê Medeiros
Mostra no Ibirapuera denuncia excessos mercantilistas da montagem e reduz discussões sobre a vida na grande cidade a slogans e logotipos

Fundações, tubulações, instalações, vigas metálicas fincadas no chão, caixas de concreto, palácios exuberantes nas cidades e casas utópicas no meio do mato. Banheiros para favelas e design de objetos europeus.

O teatro do paraíso individual e os simulacros da paisagem urbana supostamente coletiva.
(...)
Mais adiante, o Abrigo/Manifesto de Adriano Carnevale Domingues funda a arquitetura de guerrilha. Ele cita Rousseau e Lebbeus Wood para justificar seu projeto de uma barraca desmontável de sem-teto (ganhou o Prêmio IAB 2004 com o projeto). Sua barraca "arrastável" usa placas de alumínio, 2 ripas de madeira, mangueiras, arame e cobertura de PVC.
Instalada escondidinha, quase com constrangimento (com um letreiro ARQUITETURA na parte superior da tenda), lembra aquele garoto que expôs clandestinamente seu quadrinho pirata no meio da Bienal de Artes durante dias, incólume.

"Estamos presenciando um classicismo de segunda patrocinado por pessoas que enriqueceram no mundo moderno, mas fingem viverem como lordes em nossa sociedade feudal", discursa Domingues.
(...)

Sentiu firmeza?
Sem miséria!

-> Arquivo: 13.1.2006 : Concurso gringo de Carrinho para sem teto ou catador de recicláveis
-> Arquivo: 15.8.2005 : Projetos de arquitetura nômade de Lerner para Prefeitura de São Paulo no JT
-> Arquivo: 8.8.2005 : Casinha solidária proibida em São Paulo
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Carrinhos ou Barracas
-> Coletando : Amazon : Livros Mobile, the art of portable architecture e Anarchitecture. Architecture Is a Political Act
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos

8.8.05

Casinha solidária proibida em São Paulo


Casinha Solidaria
Originally uploaded by tupi.

Liga nois notícia no jornal Folha de SP dia 4/8/2005, sobre invenção estilo arquitetura nômade portátil pra molecada q faz um corre na rua. Ligeiro a fita foi reinterpretada com sangue nos olhos pelo site Diário Vermelho, daquele jeito. Olha a conversa:
A prefeitura de São Paulo determinou que recolhessem as pequenas casas azuis de madeira, com um metro e meio de altura, que viraram abrigo para moradores de rua de São Paulo. A ação, porém, foi feita de forma truculenta, sem a presença de assistentes sociais, e os moradores do local, três crianças, foram deixados ao relento, sem nenhum tipo de assistência.
O equipamento, que lembra casinhas de boneca ou de cães, foi instalado no domingo pela Associação Casa da Criança de Nossa Senhora Aparecida. Antes disso, as crianças dormiam na rua.
(...) Segundo os meninos I. e L., ambos de 13 anos, por volta das 10h de ontem "muitos homens da prefeitura" chegaram ao local.
"A gente correu para dentro da casinha e pediu para levarem a gente junto. Mas o "tio" mandou a gente sair", disse um deles. "Enquanto eles levavam as casinhas, começamos a jogar um monte de pedras neles", disse I.
De acordo com eles, a ação foi violenta. "Um dos homens apertou meu braço forte para eu largar a pedra", conta L., apontando um pequeno machucado no braço esquerdo. Os dois dizem ter chorado muito. "É claro que eu vou chorar. A casinha era boa, tinha colchão e cobertor, cabiam até três pessoas apertadas", diz I.
A associação não sabia o que fazer com os meninos. No dia em que foram atirados ao relento, eles dormiram na casa de bonecas que fica na entrada, do lado de dentro do portão da associação. Mas foi uma situação improvisada, já que não há funcionários que fiquem no local nesse horário.
É embaçado ou não é? Antigamente quilombo, hoje periferia. 500 anos de extermínio.

Updates:
13.1.2006 : Concurso gringo de Carrinho para sem teto ou catador de recicláveis
15.8.2005 : Projetos de arquitetura nômade de Lerner para Prefeitura de São Paulo no JT

-> Arquivo: 27.7.2005 : Concurso Design de Caráter Social - Transporte individual de carga e reciclagem
-> Arquivo: 8.12.2004 : Meme Corporativo: Ben & Jerry's patrocinando arquitetura e moda nômade homeless
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Reciclagem ou Barracas
-> Compartilhando Banners : Esmeralda. Por que não dancei
-> Coletando : Amazon : Livro - Mobile, the art of portable architecture
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Manual do Arquiteto Descalço
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