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6.2.07

Grafiteiros, Pixadores e Marchands no Estadão


rui amaral - Grafiteria
Originally uploaded by [fran].


Liga nois, milianos saiu essas matérias no jornal O Estado de São Paulo, Suplemento Regional Oeste, ZO, pá e tal. Trocando idéia com o mano Rui Amaral, a banca das correrias das galerias de arte da rua, uscambau. Olha a conversa:

Grafiteiros e pichadores criam um ateliê de rua na Guaicurus
5/8/2005 - Ardilhes Moreira

ONG quer montar obras de arte em paredes e conta com o apoio da Prefeitura e de empresários locais.

A Rua Guaicurus, na Lapa, é o mais novo ateliê de um grupo de grafiteiros e pichadores coordenados pelo artista plástico Rui Amaral, de 44 anos. Eles pretendem transformar muros e paredes em telas para obras de arte, criadas com o apoio de empresários e administração pública. O projeto de revitalização desse trecho do bairro constitui apenas um dos sonhos do grupo, que planeja a fundação de uma ONG dedicada à arte urbana.

Rui Amaral pensa o futuro com a autoridade de quem é um dos pioneiros do grafite em São Paulo. Nos anos 80, época em que se tratava essa modalidade artística como caso de polícia, chegou a ser preso por suas pinturas. "Começamos a pegar espaços deteriorados para revitalizar", comenta o artista, que na época morava na Vila Madalena.

A insistência deu certo e o reconhecimento chegou com a participação em uma exposição coletiva na Pinacoteca do Estado, em meados nos anos 80. "Você é considerado no meio quando cria espaços e coloca novas idéias. Fizemos uma mostra muito bacana." A intimidade com as artes visuais o levou a assumir a assumir a programação visual, a cenografia e a internet como campos profissionais.

Atualmente o artista mantém uma produtora (www.artbr.com.br) e dá cursos livres de arte urbana no Senac Lapa. Com as duas primeiras turmas, desenvolveu trabalhos de revitalização de uma favela no Jaguaré e da Biblioteca Clarice Lispector. A transformação de alguns endereços da Rua Guaicurus também nasceu como parte das aulas ministradas no Senac. A primeira etapa foi dar nova fachada para um imóvel que vai ser transformado em estacionamento. O trabalho servirá de vitrine para as reuniões com outros empresários interessados na revitalização. "Estamos em um momento de reuniões e de sensibilizar os empresários", comenta Amaral.

Educação

Além de ser uma aposta na requalificação urbana da Lapa, um bairro que sofre uma mudança de perfil com a valorização imobiliária, o trabalho também investe em arte-educação. Gangues de pichadores participam das atividades.

O líder de uma das maiores grupos de pichadores de São Paulo tem colaborado com os projetos de Amaral e mantém planos próprios onde mora, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. O jovem Wag... Pigmeus, de 30 anos, lidera um grupo que existe há 16 anos e deve reunir cerca de 500 pessoas.

No projeto desenvolvido com Amaral, tem ajudado na construção de novos formatos de letras, que serão usados na fachada do estacionamento da Guaicurus. "Todo cara que faz picho sabe fazer arte", comenta o líder do grupo.

Amaral, por sua vez, aposta na aproximação como uma alternativa à repressão. Ele acredita que a troca de experiências entre artistas, administração pública e empresários pode contribuir para que pichadores possam encontrar novas formas de manifestação. Na zona sul, a gangue Pigmeus já desenvolve projetos que usam o grafite como forma de expressão artística em becos e vielas, com o apoio da comunidade. "Vai rolar uma interação. Há vários projetos em andamento hoje que colocam grafiteiros e pichadores juntos", lembra.

Sentiu firmeza? Grafitagem e pixação lado a lado, tá valendo. Segue a rima, no mesmo Suplemento do Jornal:
Galerias acolhem obras de novos artistas urbanos
5/8/2005 - Lígia Nogueira

A street art, que surgiu como protesto contra a ditadura militar, transformou-se em marca contemporânea.

Os grafiteiros de ontem são os artistas urbanos de hoje. Basta dar uma voltinha pelas galerias de street art para entender o conceito. "O grafite chegou ao Brasil na época da ditadura, com as marcas de protesto nos muros", diz Mariana Martins, proprietária da Choque Cultural. "Hoje, a maioria dos artistas não tem mais ligação com o hip hop. Nomes como Os Gêmeos, Nina e Herbert começaram trabalhando em grupo e depois seguiram o caminho das artes plásticas. Eles acabaram transcendendo o movimento."

Atualmente, o subsolo da galeria abriga as obras de Zezão, que há cinco anos desbrava os esgotos e galerias subterrâneas à procura da parede perfeita. "É que me chama à atenção essa beleza feia", diz o artista, ex-motoboy. "Gosto de muros sujos, fábricas abandonadas, paredes de barracos. É uma forma de levar afeto a espaços públicos tão carentes." Em suas empreitadas, Zezão recolhe peças do lixo. Nas mãos dele, portas de armários, pedaços de madeira e até a cabeceira de uma cama se transformam em obras de arte - que ultrapassam o valor de R$ 200,00.

Na falta de lugares para reunir as obras de artistas urbanos, outra galeria - a Grafiteria - abriu suas portas há algumas semanas, com a exposição '100 latas'. "Toda arte que vem da rua sofre um certo preconceito", diz Boleta, um dos sócios do espaço. Mas o negócio vai bem. A turma virou referência na arte dos lambe-lambes e até foi convidada para expor no metrô Vila Madalena. "Vem muito universitário procurar informação", diz Jey, também sócio. "Como não existe faculdade disso, somos os formadores de opinião."

Choque Cultural - Rua João Moura, 997, tel. 3061-4051.
Grafiteria - Rua Simão Álvares, 601, tel 3812-4789

Bem louco, chegou chegando. Sem miséria. Tem até tiozinho no esquema da arte educação, ação direta, intervenção urbana, daquele jeito. Vei vendo:
O beco que inspira e dá cor à cidade
Aprendiz recuperou espaço que só era utilizado por traficantes e sem-teto

O abandono e a sujeira foram substituídos por uma profusão de cores e mensagens variadas. Na Vila Madalena, um beco é exemplo de espaço público que foi transformado com a ajuda dos grafiteiros e até mesmo de pichadores. O trabalho teve início em 1999 e hoje já espalhou frutos pela cidade. Um dos pontos da região que agora pode ganhar novos ares com a parceria entre uma organização não-governamental (ONG) e pichadores são os muros do Cemitério São Paulo.

O trabalho na Vila Madalena foi coordenado pela Cidade Escola Aprendiz. Segundo Eymard Ribeiro, de 37 anos, o Aprendiz já mantinha em escola projetos de revitalização de fachadas com mosaicos de azulejos. Como o bairro sempre teve a presença de grafites, a aproximação foi quase que meramente uma conseqüência. "Identificamos um espaço que não tinha nenhuma intervenção e era um lugar de tráfico e de freqüência de moradores de rua", afirma.

O grupo aproveitou uma ação da Prefeitura que retirou os sem-teto do local e ocupou o beco com latas de spray e muitas idéias. No primeiro fim de semana, eram quatro grafiteiros. Rapidamente, porém, o grupo alcançou cerca de 15 e passou a solicitar à Prefeitura permissão para revitalizar outros espaços. "Em 2003, pintamos 51 murais e envolvemos 600 pessoas."

O primeiro espaço grafitado se transformou em uma espécie de galeria a céu aberto, que é duas vezes por ano repintado. Em uma dessas experiências, o grupo de pichadores Pigmeus desenhou em um trecho do beco uma agenda com letras típicas das pichações.

Ribeiro lembra que as experiência positivas motivaram a participação da ONG nas discussões a respeito de outro espaço degradado na região. Com o apoio da Prefeitura e da Associação Comercial, os muros do Cemitério São Paulo, na Rua Cardeal Arcoverde, são tela para um projeto piloto que envolve os pichadores e pesquisadores de arte urbana.

Repressão

Os pichadores estão decorando azulejos, que são produzidos na ONG, e depois vão para as esquinas dos muros. "Queremos colocar a pichação com outras letras, ouvir estas pessoas", ressalta Ribeiro. Ele lembra que no princípio do ano a Prefeitura anunciou a repressão aos pichadores, mas, depois de críticas de educadores, a Coordenadoria da Juventude e a própria Secretaria das Subprefeituras têm buscado alternativas. "Anteriormente, tudo era contra os pichadores; agora é com os pichadores. Isso acaba virando história."

Tá valendo! Demorou.

O bagulho é doido!

Updates
9/8/2011: Graffiti 3D de verdade com objetos reciclados
27/7/2011: Documentários de pixação em DVD e no cinema de museu de arte
20.7.2011 : Letras de grafite e pixação pro Orkut

-> Arquivo: 13.9.2006 : Exposição de shapes grafitados - Arte skate na Galeria Central
-> Arquivo: 17.8.2006 : Handselecta - Tipos de letra com alfabetos de grafite e pixaçao
-> Arquivo: 2.6.2006 : Livro "A grande arte da pixação em São Paulo" na Folha de SP
-> Arquivo: 17.4.2006 : Crochê, tricô, fuxico, mobs e arte da rua
-> Arquivo: 28.2.2006 : Arranjo produtivo do grafite e pichação no jornal Estadão
-> Arquivo: 4.8.2005 : Arranjo produtivo do Graffiti
-> Camiset.andh.us : Temas : Arte da Rua
-> Coletando : Amazon Store da Taba : Livro - Graffiti Brasil
-> Coletando : Livraria Cultura: Livros Graffiti Brasil e TTSSS, A grande arte da pichação em São Paulo
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Quadro, Graffiti, Poster, Spray, e Gravuras
-> Compartilhando Banners : Canetas para Tecidos no Buscapé

1.6.06

Desperdício de alimentos: Brasil campeão mundial.

Liga nóis matéria de milianos no jornal O Estado de São Paulo, tipo rimando sobre a história da correria do Banco de Alimentos, desperdício de comida a milhão, falsa escassez, uscambau. Modo de produção e logística industrial perdulária, desigual. Daquele jeito, olha a conversa:
Parceria entre ONG e empresas reduz desperdício de alimentos
9/11/2005 - Andrea Vialli

Banco de Alimentos une-se a grupos como Nestlé e Danone para aproveitar comida que seria jogada fora

O maior exportador mundial de alimentos também é um dos campeões do desperdício. O Brasil joga no lixo anualmente 26,3 milhões de toneladas de comida, segundo cálculos da FAO, órgão da ONU para alimentação e agricultura. O desperdício geralmente ocorre nos processos de embalagem, transporte e armazenamento. E o que é descartado daria para alimentar 35 milhões de pessoas por mês.

Porém, parcerias da iniciativa privada com o terceiro setor têm ajudado a minimizar o problema nos grandes centros urbanos. "Retira onde sobra, entrega onde falta." Esta é a filosofia de trabalho do Banco de Alimentos, organização não-governamental de combate ao desperdício de alimentos. A ONG firma parcerias com os doadores - indústrias de alimentos, padarias e produtores de frutas e verduras, entre outros -, que entregam excedentes da produção, em bom estado, para instituições filantrópicas que atendem crianças, idosos e deficientes físicos carentes.

O banco nasceu do inconformismo da economista Luciana Quintão, que montou a ONG praticamente sozinha. "A ONG nasceu da minha crença de que a gente cria a realidade à nossa volta", diz. "O Brasil é um dos países mais ricos do mundo, que mais arrecada impostos, e no entanto tem índices de pobreza inaceitáveis."

Ela buscou orientação e inspiração na iniciativa Mesa Brasil, do Sesc, que segue o mesmo ponto de partida, o da coleta das sobras de comercialização para posterior distribuição às entidades. "Tudo o que recolhemos é de excelente qualidade, além de tomarmos os cuidados necessários no transporte."

A ONG já tem sete anos de existência e recolhe mensalmente 30 toneladas de alimentos, que beneficiam 18 mil pessoas, assistidas por 48 entidades. São mais de 60 empresas doadoras, um universo que abrange de gigantes da indústria alimentícia, como Nestlé e Danone, a pequenas empresas, como padarias e hortifrutigranjeiros. Atualmente, a luta é para atender as 110 instituições que estão na lista de espera. Mais empresas doadoras são bem-vindas, diz Luciana.

Um dos diferenciais do banco foi buscar alimentos diretamente com o produtor rural, o que ajuda a eliminar perdas. O agricultor Paulo Shintate, do município de Biritiba Mirim, em São Paulo, foi o primeiro produtor a aderir à proposta do Banco de Alimentos, há dois anos. Hoje, são 20 na região, uma das maiores produtoras de hortaliças do Estado. "Fazemos a doação dos alimentos que estão bons para consumo, mas que o mercado não aceita", diz Shintate. São hortaliças que fogem dos padrões, por serem mirradas ou grandes demais, ou por serem sobra da produção, uma vez que os alimentos colhidos podem não encontrar mercado.

Antes das doações, esses alimentos eram destinados à adubação orgânica - um destino mais correto que o lixo, mas que tinha algum grau de perversidade, uma vez que os alimentos descartados ainda estão bons para o consumo. Hoje, uma vez por semana, os voluntários do Banco de Alimentos recolhem os alimentos, que são previamente ensacados pelos produtores. "É gratificante, pois conseguimos escoar o excedente da produção, e as pessoas beneficiadas também aprendem o valor nutritivo das hortaliças", diz Shintate.

No caso da indústria, os produtos doados não diferem daqueles que abastecem as prateleiras dos supermercados. A Danone fornece produtos lácteos - como iogurtes e requeijão - para três organizações, em São Paulo, Minas e Bahia. Desde o início do ano, já são 90 toneladas de produtos, que saem dos centros de distribuição da empresa para as ONGs, que se encarregam de distribuir os produtos.

"A intenção é expandir essas parcerias", diz Fabiana Cymrot, gerente de desenvolvimento organizacional da Danone. As doações, ao lado de iniciativas sociais focadas no desenvolvimento profissional de jovens, são as bandeiras de responsabilidade social da empresa.

É embaçado ou não é? A treta não é falta de comida, é falta de dinheiro. Se pam o 171 do sistema é manter a moeda oficial artificialmente escassa diante da abundância dos recursos. Demorou.

-> Arquivo: 19.5.2006 : Café da manhã ambulante, temporário e autônomo em São Paulo
-> Arquivo: 1.2.2006 : Projeto Terra Negra Brasil - Financiamento agrário para afro-descendentes
-> Arquivo: 28.11.2005 : Projeto Metacafé, Cyrano disse.
-> Arquivo: 8.7.2005 : Novas profissões - Broker infomediário de bares e restaurantes no Orkut
-> Metaong.info: Ferramenta na Web facilita doação de alimentos nos EUA e ONG Banco de Alimentos revela alguns números do desperdício
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Alimentos e Sementes
-> Compartilhando Banners : Livro - Além da Globalização
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18.5.06

Arranjo produtivo da midiatização da memória

retrato de familia foto de EsterTorá

Liga q milianos a banca pra guardar lembrança de casamento, aniversário, parto, pagode, uscambau, confia em esquema tipo foto, diário, lambe-lambe, fita vhs, dvd, pá e tal.
Então, tô ligado q uma pá de correria em educação, inclusão e software livre, ensina a molecada pra mexer com produção de audio-visual, câmera, filmagem, ator, direção, edição, daquele jeito. Vai vendo: Novolhar, Assoc. Imagem Comunitária, Instituto Criar, Cufa, Nós do Cinema, vixi, segue a rima...

Tipo, nessa levada dá pra se jogar em esquema quase particular, narrativa pessoal, show de realidade, copyleft, torrent, videocassetada, evento, tudo no bolinho. Tipo, alternativa pra gerar renda, cobrar serviço, treinar linguagem e se pam produzir ficção. Tentando a sorte em um arranjo produtivo da midiatização da memória. Vai vendo matéria milianos na Folha de SP:
Cenas da Vida
31/07/2005 - Marcelo Bartolomei

Produtoras filmam memórias de famílias. Mercado oferece documentação de histórias pessoais por meio de obras feitas como se fossem para o cinema

Não é de hoje que as recordações de família ganham impressões em vídeo caseiros, geralmente amadores. Surge no mercado uma maneira de documentar histórias, trajetórias e momentos de vida por meio de filmes profissionais -com roteiro, direção, fotografia, trilha sonora e edição-, como se fossem para o cinema.
Segundo produtores de São Paulo e do Rio de Janeiro ouvidos pela Folha, o número de produções familiares cresceu nos últimos anos graças ao acesso à tecnologia e à disposição de profissionais do ramo. "É um mercado em expansão. Usamos fotos, vídeos feitos pela própria família e, se solicitado, tomamos depoimentos de pessoas diretamente ligadas", afirma Ricardo Langer, 32, da produtora carioca Vídeo Shack. "É uma opção aos vídeos dos casamenteiros, que são longos e não despertam o interesse do espectador. Ninguém assiste."

Langer fez um documentário sobre o pai do empresário Paulo Monteverde, 57, o industrial Bernardo Monteverde. Sua empresa tem um museu particular, com pertences e equipamentos que simbolizam a carreira do patriarca. "Foi uma idéia minha para homenagear meu pai e fazer uma surpresa à minha mãe", conta.
Mas nem todo mundo teve a oportunidade de registrar em imagens a vida dos familiares para resgatar suas memórias. É o caso do empresário paulista Ariê Halpern, 58, que diz se arrepender de não ter feito um filme sobre a bisavó, já morta. Antes de pensar nisso, ele contratou uma produtora para fazer um filme sobre a mulher, a ex-jogadora de vôlei Maria Imaculada, 57. "Nos tornamos editores de nossa própria história", afirma ele, que planeja contar a história dos pais.

O vídeo para a mulher foi uma surpresa. Quando ela anunciou que interromperia a carreira, Halpern saiu em busca das pessoas com quem ela havia trabalhado.
Mas para ter em casa uma produção "hollywoodiana", ainda é preciso dispensar uma grande quantia. Os projetos, cujo custo pode variar de R$ 10 mil a R$ 50 mil, demoram 20 dias, no mínimo, para serem preparados.
Saul Nahmias, 40, já finalizou quatro trabalhos familiares em sua ilha de edição, na Videoclipping, de São Paulo. "O interessante é mostrar o lado humano, muito rico, agindo como uma espécie de terapia", afirma. Ele, que já trabalhou em "Sobreviventes do Holocausto", dirigido por Steven Spielberg em 1996, conta que há regras na hora de tomar depoimentos. "Se a pessoa se emocionar, você não deve consolar, mas consultá-la se continua se sentindo à vontade para falar", diz.

Nahmias começou a fazer documentários familiares ao lado de dois amigos, sempre obrigando os personagens do filme a mexerem no baú de recordações. Um dos vídeos, da família Steinbruch, se tornou vedete na produtora. "Ele conta fatos durante a guerra que pouca gente sabia", diz.
Em outro filme, a pedido do neto, duas avós - Theresa Chirico Talan, italiana, e Assunción Preciado Garcia, espanhola - travam um amigável conflito a partir das receitas que introduziram na família. A primeira foi uma das pioneiras a manter um box no Mercado Municipal de São Paulo, onde voltou após vários anos para gravar o documentário.
Para o produtor Roberto Ferreira, 51, da paulista Image Box (em 2004 ele fez um filme da matriarca de uma família apenas com fotos antigas), as regras do vídeo familiar são as mesmas do institucional. Passa pelo roteirista, submete à aprovação do cliente e, depois, inicia as filmagens.


Outro esquema bem louco é o Playback Theatre, tipo freestyle de grupo de teatro, uma peça improvisada em cima de historinha de tiozinho da platéia. Whose line is it anyway? Sei lá, tá valendo. Vai vendo o salve no site da filial de São Paulo:
www.playbacktheatre.com.br

We play life!

Playback Theatre© é uma forma de teatro que recria a vida no palco. Foi criado em 1975, nos Estados Unidos, por Jonathan Fox, Jo Salas e a companhia original. A São Paulo Playback Theatre é a responsável por trazê-lo para o Brasil.

Um espetáculo de Playback Theatre© é um momento único de aprendizagem.

Um passo a frente!

Nosso passo a frente é aproveitar as experiências que nos são contadas nos espetáculos e transformá-las em peças de teatro, tornando-as públicas, para serem aproveitadas por todos. Como em learning organisations.
A estrutura do espetáculo é simples.

Alguém da platéia conta-nos uma experiência que tenha vivido e nós a transformamos em uma peça de teatro. Na hora e sem ensaio ou combinações prévias.
A execução é extremamente complexa e delicada!.

Afinal, estamos lidando com a vida de alguém. Para você ter uma idéia de quanto isto é sério, só pode dirigir uma companhia de Playback Theatre© quem é formado por Jonathan Fox, o criador deste teatro, na School of Playback Theatre - Poughkeepsie - NY.

Ligeiro é lado a lado com blog, orkut, câmera digital, youtube, 1-2 tem audio-visual copyleft. Filmando o movimento, sem vacilo.

Mas sem essa de perguntar: é sua memória, aconteceu mesmo ou é midia? Aí fica embaçado :-)

É nóis na fita!

-> Arquivo: 23.1.2006 : III Tributo ao Sabotage 24/1/2006 - Gravação do DVD
-> Arquivo : 12.12.2005 : Victoria Abril faz ponta no Cine Favela Heliópolis
-> Arquivo: 3.11.2005 : Revver.com - Hospedagem de vídeo grátis q remunera quem publica
-> Arquivo: 2.7.2005 : Funk Carioca, arranjo produtivo copyleft na Revista Carta Capital
-> Arquivo: 2.6.2005 : Diretor de cinema e pedreiro no jornal O Estado de SP
-> Metaong.info: 22.1.2003 : Grupos de teatro se espalham em favelas revelando talentos
-> Compartilhando Banners : Livros : Simulacros e Simulação e A Sociedade do Espetáculo
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : retrato, câmera de video e família

24.4.06

Marcelo Paixão da ONG Observatório AfroBrasileiro, entrevista no Estadão

Marcelo Paixão

Liga nois entrevista com economista ano passado no Jornal O Estado de São Paulo. Rimando sobre estatísticas da exclusão, ação afirmativa, cotas, privilégios e desigualdades de milianos, teve o dom. Vai vendo:
Corrida de obstáculos, só para negros
Domingo, 20 de Novembro de 2005, por Ivan Carvalho Finotti

Ao contrário do que aconteceu com os imigrantes europeus, a raça negra não é considerada parte efetiva da formação da sociedade brasileira

Um novo consenso nacional a respeito do negro no Brasil. Essa é a única saída para a desigualdade racial que assola o País há séculos, acredita o economista carioca Marcelo Paixão. Um consenso que envolva mudança dos papéis tradicionais e admita a contribuição efetiva da raça negra na formação da sociedade brasileira.

Órfão, Marcelo Paixão estudou até a 7ª série em escola pública. Terminou sua educação em escola particular paga por sua tia, funcionária pública que o criou. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje, aos 39 anos, doutor em Sociologia e professor do Instituto de Economia da mesma UFRJ, Paixão é um defensor do sistema de cotas e, apesar de trabalhar o tempo todo com números absolutos, gosta mesmo é de interpretá-los: "Um pobre numa sociedade não tão desigual sente menos a pobreza do que uma pessoa com mais recursos numa sociedade de pronunciada desigualdade".

O economista, também coordenador da ONG Observatório AfroBrasileiro, foi um dos autores do Relatório do Desenvolvimento Humano no Brasil, da ONU, divulgado na sexta-feira. A publicação, intitulada Racismo, Pobreza e Violência, aborda as razões dessa desigualdade e sugere caminhos, como a mudança das políticas públicas.

Seu trabalho como economista é festejado por todas as organizações afro-brasileiras do País. Ao desagregar por cor e raça os três dados que medem o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH (escolaridade, renda per capita e expectativa de vida), Marcelo Paixão ajudou a abrir um novo campo de estudos. Em sua tese de doutorado, concluiu que, se a população branca do Brasil formasse um país à parte, ela estaria em 44º no ranking mundial do IDH, enquanto a população negra ficaria em 105º. Atualmente o Brasil está em 63º lugar, mas é sobre o fosso de 61 posições que separam o 44 do 105 que Paixão falou ao Aliás nesta entrevista publicada hoje (20/11/2005), no Dia da Consciência Negra.

Quais as novidades do Relatório de Desenvolvimento Humano 2005, divulgado na sexta-feira?
O tema mais importante é um convite para uma mudança do perfil das políticas públicas para a área social do Brasil. O discurso dessas políticas sempre foi generalista, ou seja, voltado para todos. Se fosse voltado para todos, não deveria haver discriminação ou desigualdade no saneamento, distribuição de água, energia elétrica, localização de hospitais etc. O discurso é nobre, mas não funciona. É preciso ver como alguns grupos da sociedade se apropriam dos recursos públicos. Quando analisamos as desigualdades raciais no acesso a escola, saúde, coleta de lixo, esgoto, vemos que um grupo se beneficia mais que outro. A política pública, assim, aprofunda o problema.

E como combater isso?
Reorientar os investimentos para áreas mais pobres de modo que os serviços públicos possam ser equalizados. Sob o ponto de vista dos indicadores sociais, a população negra vai ter um benefício, porque está concentrada nessas áreas. Há outras formas, mais qualitativas.

Quais são elas?
Sabemos que as desigualdades sociais na educação são muitas vezes produzidas por conta de condições desiguais para acessar o ensino. Crianças pobres saem da escola mais cedo que as ricas. Por outro lado, também sabemos que muitas vezes o que afasta as crianças pobres não é só o fator econômico. É também o desalento, o fato de que o ambiente em sala de aula é pouco propício para que os alunos sejam diversos em origens ou em formas físicas. Constrói-se um padrão estereotipado que tem efeitos difíceis de ser quantificados, mas são cruéis. Enfim, as políticas de promoção da igualdade racial estão ligadas às políticas de combate à pobreza. Podem ser instrumentos importantes para a reversão de um cenário de desigualdade que, a rigor, se perpetua secularmente. E esse secularmente jamais pode ser considerado um tema menor. Temos de nos lembrar que esse país tem uma população descendente de escravos desassistida há gerações.

Há quatro anos, a renda familiar do branco era de 2,64 salários mínimos e a do negro, de 1,15. Isso mudou?
Em termos de valor absoluto, as rendas aumentaram, acompanhando a inflação. Mas vou ser um pouco subjetivo, sem me ater aos números. O que importa é que a desigualdade relativa se manteve. E as diferenças relativas é que importam.

Por quê?
Falo brincando na sala de aula que não ter sapato em 1900 é diferente de não ter sapato em 2005. O sentimento de privação relativa é tão importante quanto as realidades da privação absoluta. Uma pessoa pode ser pobre, mas, se vive numa sociedade não tão desigual, essa pobreza pode ser pouco sentida. Já alguém com mais recursos, mas numa sociedade de pronunciada desigualdade, vai se sentir pobre. Essa pessoa pode não ter a pobreza absoluta, mas tem a relativa. Na Rocinha ou em outras favelas do Rio de Janeiro, as casas têm TV, rádio, geladeira. No entanto, por que as pessoas vivem em situação muito precária, muito vulnerável? É também por conta do sentimento de privação relativa. Elas não têm acesso a um conjunto de bens e a um conjunto de direitos sociais que uma parcela significativa da população tem.

O senhor acredita que um dia o negro brasileiro terá índices socioeconômicos semelhantes aos do branco?
A questão racial vai além de ser um problema do negro. Na sociedade brasileira, temos de pensar que os negros estão inseridos em uma coletividade e os indicadores sociais são produzidos a partir da relação de um grupo com os outros. Então, quando falamos "o problema do negro", prefiro dizer "o problema das relações raciais no Brasil".
Quem ensinou isso de uma forma cabal foi o movimento feminista, que conseguiu elevar o debate das relações entre sexo para um debate sobre gêneros. Isso remete às posições e papéis sociais que um grupo forja em relação ao outro, as expectativas, as barreiras que vão sendo criadas por um grupo em relação ao outro. Então, não existe no Brasil um problema do negro, mas das relações raciais.

Minha pergunta, então, foi preconceituosa?
Não chegaria a tanto. É uma pergunta que é feita a mim o tempo todo. Ela corresponde a um senso comum desse debate.

Sim, mesmo porque o trabalho do senhor, ao separar os dados das populações brancas e negras, remete à idéia de igualar esses índices.
Sim, mas essa parte da pergunta, a de igualar as condições, está correta. O erro está em imaginar "o negro irá conseguir?" Não é questão de conseguir. Será necessário um novo consenso nacional sobre isso.

Como assim?
Pense no que foi o processo de integração dos imigrantes no Brasil. Eles tinham problemas de sobrevivência nos países de origem para vir trabalhar em cafezais ou fábricas, porque ninguém emigra porque quer. Agora, os italianos, japoneses e alemães estão perfeitamente integrados na sociedade brasileira. Chegaram aqui analfabetos, muitos sem qualificação, mas o que foi acontecendo? Um processo de convencimento no interior da sociedade brasileira – principalmente por parte das elites e dirigentes, que pensam estrategicamente –, que aquele contingente, independentemente de ter um nível de qualificação profissional tão reduzido, tinha contribuições efetivas a dar na formação da sociedade brasileira. E aí foram aceitos nas fábricas, posteriormente aceitos como gerentes e posteriormente ainda como donos das empresas.

E os negros?
Platão, em A República, dizia que as mulheres tinham de ser plenamente aproveitadas porque uma república que não utilizasse a potencialidade das mulheres seria como uma pessoa com apenas uma perna. É o que digo em relação aos negros. Mudar as relações entre os grupos raciais muda a maneira de os grupos se inserirem no todo social. Feito isso, a tendência é de os indicadores se igualarem.

As ações afirmativas, como a política de diversidade que algumas empresas adotam e a política de cotas nas universidades, já são entendidas pela população brasileira?
Vamos dividir essa pergunta. O primeiro tópico é que a política de ação afirmativa implica tratar os desiguais desigualmente para corrigir as desigualdades existentes. Vou dar exemplos: o imposto de renda progressivo, que significa que quem ganha mais paga maior imposto. As legislações que beneficiam as pequenas e médias empresas.
Filas para portadores de deficiências nos bancos. Como se vê, a ação afirmativa é um princípio já conhecido de todos os brasileiros e de todo o mundo moderno. O que talvez seja menos conhecido sejam ações afirmativas voltadas para grupos da população como mulheres ou negros.
No primeiro caso, temos por exemplo a lei eleitoral que reserva 30% das vagas de candidaturas nos partidos políticos para mulheres. Em relação à questão racial é que reside o problema.

Por quê?
Porque, quando envolve a questão racial, a ação afirmativa significa mudança de papéis sociais tradicionais que muitas vezes se encontram normatizados. Sobre as cotas: as pessoas não se acostumaram a ver negros nas profissões de médico, engenheiro, professor universitário e outras posições de maior prestígio social, e por isso passaram a acreditar que isso é o normal da vida. E não é. Então uma proposta dessas acaba encontrando resistência. Também acho que é uma medida impactante porque é não-voluntária. As universidades foram obrigadas a abrir as portas para um público que estava tradicionalmente excluído e, aliás, se a medida não fosse adotada, continuaria excluído para todo o sempre.

E há meios menos impositivos?
As empresas em geral fazem uma política voluntária. Eu acredito que, neste momento, teremos uma proliferação de medidas, de propostas de superação do quadro das desigualdades raciais. Algumas medidas serão mais impositivas, como é o caso das cotas, outras serão voluntárias, como é o caso de diversas empresas. Elas vêm operando políticas ativas de diversidade porque consideram que isso tem um caráter ético muito importante, porque estão cada vez mais abertas ao tema da responsabilidade empresarial, porque isso pode trazer uma imagem positiva e também porque percebem que pode ser mais lucrativo diversificar seu corpo de funcionários.

O senhor dá aulas para algum aluno cotista?
Infelizmente não. Na UFRJ não existe a política de cotas. Percebo até que há uma resistência muito grande por parte do corpo docente. Mas meu papel, além de ser um pesquisador e um professor, é procurar convencer as pessoas, sempre tentando colocar a racionalidade da proposta. As cotas não visam destruir a universidade, reduzir sua qualidade ou dizer que o princípio do mérito é desprezível. Nada disso. Só não acho que meritocracia e diversidade sejam excludentes.

Até que ponto a política de cotas será eficiente num sistema que é injusto desde o início? Por que não brigar por um sistema de qualidade que venha do ensino fundamental?
Acho que a política de cotas deve ser complementada com políticas de melhora de ensino público. Em relação às cotas, não existe a intenção de pôr na universidade pessoas despreparadas. Existem notas de corte.
Eu próprio não corrijo prova de aluno de forma mais leniente por conta de condições econômicas. Esse princípio tem de estar consagrado. Mas, quando analisamos os que foram classificados pelo vestibular, encontro em geral uma camada de ótimos alunos que vieram das redes privadas ou dos públicos federais. Existe, depois, o nível intermediário, no qual as notas entre aquele que se classificou e o que não se classificou são muito parecidas. Muitas vezes há o ingresso de um aluno que veio das escolas privadas, que teve oportunidade de fazer cursinho e aula de inglês e tirou 6,5. E um aluno de escola pública, pobre ou negro, que enfrentou preconceito, racismo, pobreza e talvez tenha de ter trabalhado enquanto estudava, tirou 6,3. Ele não entra porque a nota de corte é 6,4. Do ponto de vista do princípio da justiça, eu
pergunto: o critério está certo? Acho que não. Ao contrário. Um aluno negro e pobre que consegue enfrentar tantos desafios na vida e ser classificado numa prova de vestibular da UFRJ, da USP ou da Unicamp, um aluno desses tem de ser aproveitado. Se não for, nós o estamos condenando ao desalento. Estamos transformando pessoas que poderiam ser bons médicos, bons engenheiros, bons economistas, em profissionais com posições inferiores na sociedade.

Mas é possível traçar essa linha de forma justa?
É uma operação matemática complexa, mas hoje essa linha é traçada. Quem tirou 6,5 entra.Quem tirou 6,3 não. Pouco importa se o primeiro é um rico medíocre e o segundo é um pobre brilhante. Isso é complexo? É. Mas uma pessoa que nasce na favela e consegue, após 11 anos de estudos, prestar um vestibular é um herói nacional sem reconhecimento.
E depois de tudo isso, por causa de um ou dois décimos de nota, damos adeus para ele? Não é assim que esse país deve funcionar.

O que o senhor acha da lei que deve tornar obrigatório o estudo de História Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio?
É importante porque diz respeito à maneira como a população brasileira vai tomar conhecimento da própria história. Nosso maior valor é a diversidade. Todo mundo sabe disso. Todo mundo sabe que a seleção brasileira não poderia ser feita só por negros ou só por brancos. E, se essa diversidade é um valor, ele deve estar expressado nos cursos escolares.

Demorou.

-> Arquivo: 4.10.2005 : Cotas para afrodescendentes nas empresas e corporações
-> Arquivo: 24.8.2005 : Arnaldo Jabour x MV Bill no Flip 2005
-> Arquivo: 14.7.2005 : Reparações aos descendentes daqueles que sofreram com a escravatura, sequestro e trabalhos forçados
-> Arquivo: 11.4.2005 : Uma história não contada
-> Taba : Discursando : Nas Listas : Radinho : Re: Reconhecimento de diferenças rompe desigualdade nas escolas
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Tim Maia e Candomble
-> Coletando : Livraria Cultura: Livro - Uma história não contada. Negro, racismo e branqueamento em São Paulo.
-> Compartilhando Banners : CDs Nada como um dia após o outro dia e Antigamente quilombos, hoje periferia.

19.9.05

Novos bancos comunitários em MG, nota no Estadão

Liga nois notinha q saiu milidias no jornal Estadão
Terça-feira, 13 de Setembro de 2005
Parceria cria bancos comunitários em MG
O Sebrae-MG firmou parceria com a ONG Visão Mundial para expandir o microcrédito no Estado. São organizados bancos comunitários para financiar empreendimentos. "Cada grupo é autogestor. Administram contas, liberam créditos, controlam pagamento e juros", explica Gilze Oliveira, gerente da Agência Nacional de Desenvolvimento Microempresarial (Ande).O montante de crédito liberado a bancos comunitários em Minas até junho foi de R$ 25.610.

Tem o dom? Fui, nem me viu!

->Arquivo: 28.4.2005 : Tanomoshi, consórcio de dinheiro, microcrédito autônomo e serviços financeiros c2c
-> Taba : Coletando
-> Compartilhando Banners : Livro - A Economia Solidária no Brasil. A autogestão como resposta ao desemprego.
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24.9.04

Fundação Bauhaus, projeto urbanização da favela Jacarezinho RJ

Meninas na Quadra do Azul no Jacarezinho


Catado de notícias sobre urbanismo e planejamento urbano para favelas e bairros autônomos publicado originalmente no site Metaong.info.

Fundação Bauhaus cria pátio que areja favela do Rio

Fonte: Folha Online
04/08/2004 por Sergio Torres, no Rio


Um pátio nos moldes medievais, que criou uma espécie de clareira na superpovoada favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, é a principal novidade do projeto Célula Urbana, desenvolvido pela prefeitura carioca em parceria com a histórica Fundação Bauhaus-Dessau, da Alemanha.

O resultado de cinco anos de ação da Bauhaus no Jacarezinho será conhecido amanhã, quando se festeja o início das atividades do prédio de quatro andares projetado por arquitetos alemães e brasileiros. Ao lado do prédio fica o pátio; em frente, a reurbanizada praça da Concórdia.

Desde 1999, técnicos da Bauhaus e da prefeitura estudam em conjunto a situação do aglomerado urbano com cerca de 60 mil habitantes.

A Fundação Bauhaus foi criada sem fins lucrativos em 1994 para preservar o legado da escola Bauhaus. Base do modernismo que, desde a criação da escola, em 1919, passou a vigorar na arquitetura e nas linhas de produtos industriais, a Bauhaus preconiza a simplicidade nos projetos.

Na favela, quase toda plana, casas e barracos se sobrepõem, chegando a atingir 25 m de altura. As ligações são corredores estreitos e poucas ruas de trânsito caótico.

Em consequência disso, há áreas em que a luz do sol não chega e em que inexiste ventilação. Essa situação tornou o Jacarezinho a comunidade campeã em doenças pulmonares na região metropolitana do Rio.

Após a análise da situação, os enviados da Bauhaus decidiram, com os especialistas do Célula Urbana - projeto de intervenções urbanísticas nas favelas -, arejar a comunidade.

Coordenadora do Célula Urbana, a arquiteta Lu Petersen conta que, para a abertura do pátio, de cerca de 1.500 m2, as construções que abrigavam 48 famílias foram derrubadas e as cerca de 180 pessoas, transferidas para outros locais da favela.
Depois da abertura da "clareira", os vizinhos fizeram o que passaram décadas sem poder fazer: abriram janelas e basculantes voltadas para o pátio.

Escola Bauhaus revoluciona design em favela carioca

Fonte: Folha Online
19/07/2004 da Reuters, no Rio


Oito décadas após a fundação da Bauhaus, a escola de design alemã planeja um renascimento no século 21 - e ele vai acontecer na favela carioca do Jacarezinho.

Partindo de sua tradição de criar bens com custo ao alcance das massas, uma nova geração de discípulos da Bauhaus e dois funcionários da prefeitura do Rio de Janeiro pretendem colocar em ação um plano urbanístico ousado na favela.

"Não queremos construir apenas mais um projeto arquitetônico - queremos gerar perspectivas sociais e econômicas para os moradores daqui", disse o arquiteto alemão Dietmar Starke, funcionário da prefeitura carioca.

O projeto piloto pede a derrubada de um punhado de casas de blocos em três quadras do Jacarezinho, abrindo pátios para permitir a entrada de luz nas casas escuras e construindo novas residências em vários níveis.

A demolição vai começar em janeiro, e a previsão é que as obras estejam concluídas até 2003. A chamada Célula Urbana também terá um cibercafé, lojas, uma escola de dança, teatros e oficinas de costura espalhados pelos pátios.

"Estamos adorando. Não é todo dia que a Bauhaus se muda para a favela, trazendo cultura e oportunidades", disse a ambulante Carmen Maria Pereira, de 45 antes. "Mesmo que não me beneficie, vai ser bom para meus filhos ou netos."
É por essa razão que a Célula Urbana goza de amplo apoio entre os 50 mil moradores da favela, mesmo aqueles que podem perder suas casas a curto prazo.

A favela do Jacarezinho foi escolhida devido à sua proximidade a uma avenida grande e à linha do metrô, facilitando a integração da favela com quem vem de fora. Além disso, é uma das maiores favelas do Rio e os investimentos do governo estão longe de resolver seus problemas.

Ironicamente, o projeto Jacarezinho será o primeiro realmente desenhado pela escola Bauhaus, fundada em 1919 por Walter Gropius. Enquanto a escola de arte e arquitetura Bauhaus desencadeou uma revolução no design, os edifícios que idealizou sempre foram projetados e construídos pela firma particular de Gropius.

Segundo o diretor da Fundação Bauhaus, Omar Akbar, uma das principais metas do projeto Jacarezinho é criar um vínculo com o movimento histórico Bauhaus.
"Nos anos 1920, a Bauhaus tratava dos problemas dos pobres da Europa. Mas o mundo está mudando, e agora nosso desafio é resolver os problemas de favelas internacionais", disse Akbar, depois de passar duas semanas no Jacarezinho.

Nos anos 1920, o movimento Bauhaus introduziu a filosofia da função tendo preferência sobre a moda e ergueu centenas de residências austeras para as massas na Europa. Agora, no século 21, o movimento está voltado à solução de problemas de desenvolvimento urbano em lugares como o Egito e a Etiópia.
Para dar os retoques finais ao projeto Jacarezinho, Akbar e um grupo de 20 arquitetos, artistas e economistas da Bauhaus se hospedaram na favela por duas semanas no início do mês. Os jornais deram fotos dos "invasores", altos e loiros, ouvindo samba e comendo peixe frito com os moradores do Jacarezinho

Updates:
-> 4.8.2011 : O teleférico do Complexo do Alemão e transporte público para favelas e periferias
-> 1.8.2011 : Thaide entrevista Mano Brown na TV (Capão Redondo)
-> 9.10.2006 : Midia autônoma e comunitária na Favela Heliópolis
-> 13.8.2006 : Tati Quebra Barraco para playboys e patricinhas no Estadão
-> 13.7.2006 : Projetos para favelas cariocas e o teleférico de Medellin
-> 17.4.2006 : Fábrica de Criatividade, Capão Redondo, matéria no Estadão
-> 16.12.2005 : Sou feia mas tô na moda, documentário de Denise Garcia
-> 12.12.2005 : Victoria Abril faz ponta no Cine Favela Heliópolis
-> 6.9.2005 : Festa na Favela Godoy para gravação do DVD
-> 2.7.2005 : Funk carioca, arranjo produtivo copyleft na revista Carta Capital
-> 26.4.2005 : MV Bill no Roda Viva da TV Cultura
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