6.5.06

TV a cabo informal na Índia, modelo domina 80% do setor

Liga nóis, ano passado tiozinho Ravi Sundaram da correria Sarai.net colou aqui em Pindorama, tipo trocando idéia, intercâmbio, oficinas, pá e tal. O Sarai representa a milhão, fita colaborativa de pesquisa, software livre, mídia tática, mídia comunitária, tecnologia, inclusão digital, uscambau. Tori Holmes da banca do site IP traduziu e publicou um resumo da rima do guru, olha a conversa sobre esquema anti copyright da TV Informal:
80% da televisão a cabo na Índia é informal

O Ravi enfatizou que não se trata de contra-cultura (counterculture), é o setor informal. É cultura popular de verdade, não tem política em volta, não existe um discurso de mídia alternativa.
Existem canais comercias e canais piratas. Os canais piratas oferecem programação local e filmes pirateados às comunidades pobres. É televisão comunitária, mas de um outro jeito. Ele disse também que a televisão a cabo na Índia começou com a primeira guerra do golfe (1991?). Em Nova Delhi tem muita produção de mídia 'não-legal'.

O processo de piratear um filme: o filme sai nos cinemas indianas uma sexta-feira. Uma primeira cópia é gravada usando uma câmera [high quality camera copy] em Dubai e depois é enviado do Pakistan à Índia por banda larga. É exibido na televisão pirata poucos dias depois de sair no cinema. Dentro de uma semana, já tem uma cópia pirata de verdade circulando. As pessoas vêm em casa e, se for realmente um filme bom, vão também assistir no cinema.

Os operadores de tv a cabo, já acostumados com as batidas, não transmitem o filme do escritório deles, senão da casa de um cliente, e vão circulando de uma casa para outra, para evitar as batidas.

Bem louco! Pau a pau com TV Rocinha, tá tudo dominado! Liga q o tiozinho segue versando:
Ravi Sundaram & Sarai.net
A Brazileirização da Índia (a Indianilização do Brasil)

Relato e tradução de de Tori Holmes, 10/09/2005

Sobre o Sarai

Ravi falou das dificuldades na Índia para as pessoas que ficam fora das instituições. Sarai é um espaço em Nova Delhi onde se encontram pesquisadores, produtores, ativistas. É independente do governo, das empresas privadas. Já existe há 5 anos.

O Sarai apoia a três laboratórios de mídia [conhecidos como cybermohallas, mohalla sendo a palavra para bairro em turco/indiano: http://www.sarai.net/cybermohalla/cybermohalla.htm] em favelas/cortiços [squatter settlements] de Nova Delhi. Os jovens que vão nestes laboratórios mantêm diários.

O Ravi trabalha num projeto de pesquisa chamado de 'Media City Project' que estuda a cidade e a mídia (tv a cabo, música, filme, computadores, software etc.). Eles também trabalham com software livre. As pesquisas costumam também virar projetos de arte.

O Sarai oferece 80 bolsas de estudo [fellowships] por ano, cada um vale US$1000. É um dinheiro para "pessoas independentes que queiram fazer coisas interessantes". A idade dos bolsistas varia entre 18 e 80. Ravi citou um bolsista, um ativista que estava lutando para manter uma rede de electricidade pirata numa comunidade, ele recebeu a bolsa para escrever um diário sobre as experiências dele. Todas as pesquisas dos bolsistas são arquivadas em software livre.

O Sarai gerencia 15 listas de discussão. O Ravi caracterizou o Sarai como uma rede p2p de pesquisas. Disse ainda que o texto é muito importante para eles. As pessoas são incentivadas á escrever. O Sarai colabora localmente, internacionalmente, transnacionalmente...

Novos conflitos

Existem novas formas de conflito, como conflitos de mídia (conflitos midiáticos?) nas cidades indianas. Por exemplo, as empresas pagam aos ex-policiais para fazer batidas nos piratas que estão trabalhando com mídia. As empresas contratam investigadores privados para saber o que está acontecendo. Em Nova Delhi têm 2000 batidas deste tipo por ano.

Media life - vida midiática

Tudo é tático, tudo é enredado

Gênero

Os VCDs transformaram o acesso das mulheres [pobres] à mídia. As mulheres de classe média vão ao cinema, mas as mulheres pobres não.
Agora a maioria das casas [nas cidades indianas?] tem tv. O accesso das mulheres à mídia aumentou com as novas mídias.

CD

O Ravi mostrou um CD que o Sarai fez, que ganhou um prêmio da UNESCO para artes digitais ("Network of No Des"). É como se fosse uma instalação de arte. Várias janelas com fontes, documentos, imagens, tudo sobre o mesmo tema, tudo linkado. Ele enfatizou como o CD é 'low-tech' e disse que o Sarai não está interessado em fazer coisas muito high-tech, pois não seria sustentável no contexto onde eles trabalham.

A brazilianização da Índia

Há seis anos Ravi deu uma entrevista sobre este tema.

Ele problematizou a comparação entre países mas rolou uma discussão bem rica com as pessoas que estavam presentes sobre as diferenças e as coisas em comum entre Brasil e Índia. Eu não consegui captar tudo aqui, e fui embora antes da discussão ter acabado. Mas vai aqui o que peguei: Brasil e Índia são dois estados relativamente fortes. Mas os ricos na Índia não ostentam a riqueza deles como os ricos no Brasil.

Na Índia o voto não é obrigatório. Os pobres votam muito mais que os
ricos.

O Ravi acha que os brasileiros são muito mais 'media-savvy' por causa da propagação da tv no país. Na Índia são mais importantes o cinema, a música.

Sobre cultura popular... Na Índia não existe uma elite cultural. As pessoas produzindo mídia para a cultura popular são 'comodificados' mas estão por fora da propriedade.

O 'tempo' da televisão (esportes, novelas, que todo mundo assiste, etc.) muda o tempo de uma cidade...

Música: existem lojas onde você vai, escolha músicas e a pessoa queima um CD para você, tudo pirata.

Notícias. Na Índia a produção é caótica e diversificada. Existem mais o menos 30 empresas. Mas isso principalmente pelo tema dos diversos idiomas que são falados no país. Tem uma empresa para cada idioma - aí sim que é mais parecido com a situação no Brasil, com a dominação da Globo etc. Segundo Ravi, as notícias independentes circulam principalmente por listas (as listas do Sarai!).

Inicialmente, os grupos que se mobilizam em torno dos direitos civis não admitiram a mídia como um tema sério, mas isso está mudando.

A vigilância [surveillance] é um tema muito importante na Índia, tanto a vigilância política como a vigilância pessoal.

No Brasil é mais a mídia contra a população em vez de o governo contra a população.

[a conversa continuou...]

Sentiu firmeza? Teve o dom!

Sem miséria!

Update:
4.10.2006 : Assistindo TV a cabo no computador, de graça, sem baixar nada
21.6.2006 : Assistir a Copa no computador, dicas do Link Estadão e da Wired

-> Arquivo: 17.3.2006 : Livros copyleft feitos com papel e papelão reciclados
-> Arquivo: 17.10.2005 : CLAP Conhecimento Livre e Aberto de Produção
-> Arquivo: 2.8.2005 : TV a gato ou TV a cabo popular por R$ 15,00 por mês
-> Arquivo: 18.5.2005 : Netflix e distribuição de vídeo copyleft descentralizado
-> Arquivo: 30.3.2005 : Reputação como sistema monetário alternativo
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : TV a Cabo, Passagem aérea, Indiano, Placa Mágica e Yoga
-> Coletando : Livraria Cultura: The fortune at the bottom of the pyramid
-> Compartilhando Banners : Livro - TAZ. Zona Autônoma Temporária
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Um comentário:

Amandinha disse...

Salve Tupi da Taba!
Adorei a notícia - aliás, fazia tempo que eu não passava por aqui, e como sempre eu tive uma ótima surpresa. Continua mantendo a excelente qualidade no conteúdo! É isso aí.

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