1.6.06

Desperdício de alimentos: Brasil campeão mundial.

Liga nóis matéria de milianos no jornal O Estado de São Paulo, tipo rimando sobre a história da correria do Banco de Alimentos, desperdício de comida a milhão, falsa escassez, uscambau. Modo de produção e logística industrial perdulária, desigual. Daquele jeito, olha a conversa:
Parceria entre ONG e empresas reduz desperdício de alimentos
9/11/2005 - Andrea Vialli

Banco de Alimentos une-se a grupos como Nestlé e Danone para aproveitar comida que seria jogada fora

O maior exportador mundial de alimentos também é um dos campeões do desperdício. O Brasil joga no lixo anualmente 26,3 milhões de toneladas de comida, segundo cálculos da FAO, órgão da ONU para alimentação e agricultura. O desperdício geralmente ocorre nos processos de embalagem, transporte e armazenamento. E o que é descartado daria para alimentar 35 milhões de pessoas por mês.

Porém, parcerias da iniciativa privada com o terceiro setor têm ajudado a minimizar o problema nos grandes centros urbanos. "Retira onde sobra, entrega onde falta." Esta é a filosofia de trabalho do Banco de Alimentos, organização não-governamental de combate ao desperdício de alimentos. A ONG firma parcerias com os doadores - indústrias de alimentos, padarias e produtores de frutas e verduras, entre outros -, que entregam excedentes da produção, em bom estado, para instituições filantrópicas que atendem crianças, idosos e deficientes físicos carentes.

O banco nasceu do inconformismo da economista Luciana Quintão, que montou a ONG praticamente sozinha. "A ONG nasceu da minha crença de que a gente cria a realidade à nossa volta", diz. "O Brasil é um dos países mais ricos do mundo, que mais arrecada impostos, e no entanto tem índices de pobreza inaceitáveis."

Ela buscou orientação e inspiração na iniciativa Mesa Brasil, do Sesc, que segue o mesmo ponto de partida, o da coleta das sobras de comercialização para posterior distribuição às entidades. "Tudo o que recolhemos é de excelente qualidade, além de tomarmos os cuidados necessários no transporte."

A ONG já tem sete anos de existência e recolhe mensalmente 30 toneladas de alimentos, que beneficiam 18 mil pessoas, assistidas por 48 entidades. São mais de 60 empresas doadoras, um universo que abrange de gigantes da indústria alimentícia, como Nestlé e Danone, a pequenas empresas, como padarias e hortifrutigranjeiros. Atualmente, a luta é para atender as 110 instituições que estão na lista de espera. Mais empresas doadoras são bem-vindas, diz Luciana.

Um dos diferenciais do banco foi buscar alimentos diretamente com o produtor rural, o que ajuda a eliminar perdas. O agricultor Paulo Shintate, do município de Biritiba Mirim, em São Paulo, foi o primeiro produtor a aderir à proposta do Banco de Alimentos, há dois anos. Hoje, são 20 na região, uma das maiores produtoras de hortaliças do Estado. "Fazemos a doação dos alimentos que estão bons para consumo, mas que o mercado não aceita", diz Shintate. São hortaliças que fogem dos padrões, por serem mirradas ou grandes demais, ou por serem sobra da produção, uma vez que os alimentos colhidos podem não encontrar mercado.

Antes das doações, esses alimentos eram destinados à adubação orgânica - um destino mais correto que o lixo, mas que tinha algum grau de perversidade, uma vez que os alimentos descartados ainda estão bons para o consumo. Hoje, uma vez por semana, os voluntários do Banco de Alimentos recolhem os alimentos, que são previamente ensacados pelos produtores. "É gratificante, pois conseguimos escoar o excedente da produção, e as pessoas beneficiadas também aprendem o valor nutritivo das hortaliças", diz Shintate.

No caso da indústria, os produtos doados não diferem daqueles que abastecem as prateleiras dos supermercados. A Danone fornece produtos lácteos - como iogurtes e requeijão - para três organizações, em São Paulo, Minas e Bahia. Desde o início do ano, já são 90 toneladas de produtos, que saem dos centros de distribuição da empresa para as ONGs, que se encarregam de distribuir os produtos.

"A intenção é expandir essas parcerias", diz Fabiana Cymrot, gerente de desenvolvimento organizacional da Danone. As doações, ao lado de iniciativas sociais focadas no desenvolvimento profissional de jovens, são as bandeiras de responsabilidade social da empresa.

É embaçado ou não é? A treta não é falta de comida, é falta de dinheiro. Se pam o 171 do sistema é manter a moeda oficial artificialmente escassa diante da abundância dos recursos. Demorou.

-> Arquivo: 19.5.2006 : Café da manhã ambulante, temporário e autônomo em São Paulo
-> Arquivo: 1.2.2006 : Projeto Terra Negra Brasil - Financiamento agrário para afro-descendentes
-> Arquivo: 28.11.2005 : Projeto Metacafé, Cyrano disse.
-> Arquivo: 8.7.2005 : Novas profissões - Broker infomediário de bares e restaurantes no Orkut
-> Metaong.info: Ferramenta na Web facilita doação de alimentos nos EUA e ONG Banco de Alimentos revela alguns números do desperdício
-> Coletando : Mercado Livre : Busca : Alimentos e Sementes
-> Compartilhando Banners : Livro - Além da Globalização
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2 comentários:

catatau disse...

é muito triste ver isso, o Brasil, como já se disse, poderia ser o celeiro do mundo, e mal consegue ser celeiro de si mesmo.

Angélica disse...

Olá, não estou aqui para comentar, mas sim para obter informações. Como posso adquirir doações para minha entidade? A entidade já recebe doações do laticinio Leite de Pernambuco e alguns alimentos como farinha, acúçar e feijão. Hoje há cerca de 500 socios na entidade. Angélica Leite.
angglic@yahoo.com.br

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